Sociedade | 18-05-2006 15:03

Medicina legal recolhe ossos e cabelos junto cemitério de Santarém

Uma equipa de peritos do Instituto de Medicina Legal iniciou hoje em Santarém a recolha de cabelos e ossadas de corpos exumados do cemitério que foram encontrados pela câmara numa encosta a céu aberto.Hoje de manhã, os técnicos compareceram no local a pedido do Ministério Público e verificaram a existência de várias peças de roupa, cabelos e algumas ossadas na encosta onde assenta a parte baixa do cemitério de Santarém.O caso foi comunicado às autoridades pelo presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores, que encontrou, na terça-feira à noite, a poucos metros do cemitério estes restos de cadáveres."Ordenei um processo de averiguações e chamei as autoridades", afirmou à agência Lusa Moita Flores, que disse ter ficado "transtornado" com o que viu na terça-feira à noite.O autarca tinha recebido do presidente da Junta de Marvila, Carlos Marçal, um pedido para que fosse fechada uma abertura no muro, por onde era possível entrar animais."Fui alertado por um munícipe, vim ao local e vi um cão a brincar no cemitério" mas depois "reparei que na encosta estavam lápides, restos de roupa e de cabelos", recorda Carlos Marçal.Agora, a Câmara ordenou um processo de averiguações para apurar responsabilidades dos funcionários do cemitério neste caso e Moita Flores espera ter o relatório concluído até ao final da semana."Isto não se passa em lado nenhum do mundo. Tenho suportado tudo à frente da Câmara mas isto ultrapassada tudo e tem a ver com um acto de barbárie", considerou o autarca, que promete ir "até às últimas consequências" nos processos disciplinares que venham a ser levantados."Quando uma cidade chega a este ponto vive na bandalheira total", defendeu Moita Flores, que foi eleito em Outubro como o primeiro presidente da Câmara social-democrata de Santarém.Em causa estão crimes ambientais e de profanação de cadáver pelo que os eventuais responsáveis poderão ser também constituídos arguidos pelas autoridades judiciais.Depois dos técnicos do Instituto de Medicina Legal realizarem a recolha, a autarquia vai fechar a abertura no muro, colocando um portão e os restos dos corpos que forem encontrados serão depois enviados para uma incineradora no concelho da Chamusca.Estes cadáveres resultam de exumações que, conforme estipula a lei, só se podem realizar três anos após o enterramento, ficando as ossadas incineradas ou colocadas numa vala comum.No caso de Santarém, como o cemitério não tem forno crematório, existem valas comuns onde são colocadas este tipo de ossadas, explicou Moita Flores, que quer abrir em Novembro deste ano o concurso para a construção de um novo espaço.O futuro cemitério será construído em Vale de Ossos e contará com um forno crematório, estando ainda prevista a transladação das campas da parte mais baixa do actual espaço de enterramento.Essa zona é considerada uma das razões para a instabilidade das encostas naquela área da cidade, devido ao peso dos jazigos e das campas sobre o subsolo.Actualmente, o planalto onde assenta a cidade de Santarém apresenta vários problemas de sustentação, com "cargas de pressão de água" no subsolo responsáveis por deslizamentos, que podem conduzir a problemas adicionais.

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