Sociedade | 23-05-2006 07:42

Pais alertam para riscos de consumo de droga junto a jardim infantil

A Associação de Pais e Amigos do Jardim-de-infância do Choupal, em Santarém, reclamou ontem medidas de segurança para as 45 crianças do estabelecimento, perto do qual se juntam toxicodependentes, tendo sido encontrada recentemente uma seringa no muro.Uma denúncia do caso, acompanhada pela seringa que foi encontrada por uma criança, deverá ser entregue no Ministério Público de Santarém nos próximos dias pelos pais, que também enviaram uma carta à autarquia e aos ministérios da Justiça, Administração Interna e Saúde, entre outras instituições.Em particular, os pais reclamam uma solução para este "problema de saúde pública, de falta de condições de higiene e limpeza da zona envolvente", exigindo também a construção de "uma protecção segura em redor da vedação" da escola.Ana Maria Ramos, presidente da associação, reclamou ontem de novo uma protecção adicional junto ao muro na reunião de Câmara de Santarém, mas o presidente da autarquia preferiu remeter responsabilidades para a PSP, acusando-a de não estar a fazer todos os esforços para impedir a presença de toxicodependentes da zona."O problema é que tudo se passa no perímetro exterior ao jardim" e "aí a Câmara não tem competência" para actuar, afirmou o presidente da autarquia, Francisco Moita Flores.A solução deve passar, na sua opinião, pelo reforço do patrulhamento da zona, com rusgas e intervenções sucessivas, de modo a afastar os toxicodependentes para outras áreas da cidade."A PSP tem feito algumas diligências mas não as suficientes", afirmou o autarca que disse ainda que iria estudar o pagamento de trabalho extraordinário aos agentes, num sistema de gratificados que permita reforçar o policiamento.Na passada quinta-feira, uma criança de três anos encontrou a seringa, "ainda com sinais de sangue" e estupefaciente no muro do estabelecimento, tendo-a entregue na direcção do jardim, refere o documento entregue pelos pais.De acordo com a carta, "imagens como garrotes nos braços, seringas e veias a espirrar sangue" têm sido uma constante para os alunos do jardim-de-infância, localizado na cidade de Santarém."Além disso, limões cortados, pacotes de soro e algumas caricas foram aparecendo esporadicamente junto à vedação do recreio", denunciam os pais, que lamentam a falta de actuação das entidades oficiais."O que se passa é que ninguém assume a responsabilidade do problema", que existe há três anos, refere o documento.Confrontado com esta polémica, o comandante distrital da PSP, Levy Correia, escusou-se a comentar os pedidos de reforço de policiamento, considerando que a "polícia está a actuar e não funciona a recado de ninguém".No entanto, o comandante considera que esta é uma situação "nada preocupante" até porque "Santarém é das cidades mais calmas do país", embora tenha "toxicodependentes como todas as cidades têm".

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