Sociedade | 19-10-2006 08:51

Moita Flores nega ter favorecido Carlos Cruz

O presidente da Câmara de Santarém e antigo inspector da PJ negou ontem, no julgamento do processo Casa Pia, que alguma vez tenha procurado favorecer o arguido Carlos Cruz em artigos de opinião ou que fosse pago por este.Na 233ª sessão do julgamento, José Maria Martins, advogado do principal arguido do processo, Carlos Silvino ("Bibi", questionou Moita Flores para, como explicou, provar que o comentador e antigo inspector da Polícia Judiciária "fazia parte da defesa de Carlos Cruz, para deturpar e intoxicar a opinião pública" e seria mesmo "um dos elementos estratégicos da defesa de Carlos Cruz".Na resposta, Moita Flores reconheceu que conhecia o apresentador de televisão, com quem almoçava quatro ou cinco vezes por ano, mas que não mantém com o arguido uma relação de amizade.Frisou que "nem Carlos Cruz nem ninguém tem capacidade" para lhe "encomendar" seja o que for.Já depois da sessão de hoje, Moita Flores disse aos jornalistas que mantém todas as críticas que fez em relação à condução da investigação do processo de pedofilia na Casa Pia de Lisboa, "inquinado" pela promiscuidade entre a polícia e a imprensa.O actual presidente da Câmara de Santarém negou de novo que estivesse "colado" à defesa de Carlos Cruz."Se Carlos Cruz for culpado que seja condenado, é- me indiferente o destino de Carlos Cruz ou de qualquer outro arguido", afirmou.Já José Maria Martins, também depois da audiência, manteve o mesmo tom das críticas, acusando Moita Flores de ter prejudicado Carlos Silvino nos artigos de opinião que escreveu em vários jornais, e ainda por cima opiniões baseadas no que lia na imprensa.Ainda no tribunal, Moita Flores disse que ele é que fora vítima de uma "campanha de intoxicação", ao ser acusado de escrever pago pelo antigo apresentador de televisão, quando criticou a investigação."Nunca, mas nunca, Carlos Cruz me pagou fosse o que fosse. Nunca escrevi nada que não fosse da minha consciência, acho inadmissível que seja questionado por pagamentos que não cheguei a receber e que me recusaria a receber", enfatizou.Segundo disse, as críticas à investigação valeram- lhe que a sua fotografia aparecesse numa longa lista de pessoas, entre figuras públicas e os actuais arguidos, que seria apresentada aos jovens da Casa Pia alegadamente abusados.Depois de quase toda uma sessão preenchida a responder a perguntas de José Maria Martins, Moita Flores terá de voltar ao tribunal no próximo dia 27.

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