Sociedade | 24-04-2008 13:59

Almoço proporciona regresso às raízes e reavivar dos laços familiares

Ultrapassavam a centena. A sala do Centro Recreativo da Aldeia d´Além, freguesia de Alcanede (Santarém), recebeu vários ramos de uma frondosa árvore genealógica no sábado, 19 de Abril, por altura do já tradicional almoço familiar que se tem vindo a realizar desde 1997. Dezenas de pessoas, muitas delas oriundas de outros locais como Santarém, Setúbal, Coimbra ou Lisboa, procuram ali o convívio fraterno de quem tem raízes comuns. As vicissitudes da vida fizeram com que muitos tenham deixado em jovens o lugar que os vira nascer e crescer, constituindo famílias noutros pontos do país. O encontro organizado anualmente vem colmatar a falta de comunicação e afecto entre todos, assim como justificar uma visita à terra natal e aos amigos que por lá ficaram. As novidades vão-se acumulando e esta é a altura certa para pôr a conversa em dia. A ideia surgiu pela mão de António Rafael, residente em Vila Moreira (Alcanena), e a ele se juntaram outros. Amélia Lopes, uma das organizadoras, explica que “quando havia algum funeral, as pessoas, principalmente os mais idosos, aproveitavam a ocasião para colocar a conversa em dia”. A razão era a de que muitas daquelas pessoas já não se viam há anos e era como que inevitável, independente da situação não ser de alegria, não existir quem se sentisse feliz por rever parentes ou conhecidos.O momento é cada vez mais ansiado pelas famílias da Aldeia d´Além e para não haver falhas as pré-inscrições e acerto dos detalhes do programa ficam já feitos para o ano que vem. As iguarias presentes à mesa também não são escolha em vão. Marca presença a tradicional sopa de fressura (cabrito com pão) e bolos bem conhecidos da região que se faziam por altura dos casamentos ou baptizados. Joaquim Gomes, reformado da banca, não esconde a nostalgia. “Isto é muito importante para mim. Faz-me recordar os tempos em que frequentava a escola. Cresci aqui” conta com prazer explicando que de outra forma “raramente teríamos oportunidade de nos juntarmos todos e conversarmos”. Apesar de juntarem muitos familiares e parentes, ainda há os que não puderam estar presentes. “No primeiro ano tivemos mais de duzentas pessoas reunidas no almoço. Há alguns que estão no estrangeiro”, refere Maria Ermelinda, a artista dos bolinhos tradicionais. A sexagenária vive na Aldeia d´Além, actualmente com cerca de 170 habitantes, e diz que na terra são quase todos familiares. “O sentimento é sobretudo de saudade, principalmente para os que estão fora da aldeia”, constata. A boa disposição reina durante todo o almoço. E numa das mesas, a alegria é dupla. José Rafael comemora noventa anos e é o homenageado da festa. Os mimos das netas são constantes. Ana veio propositadamente de Inglaterra, onde trabalha, para o aniversário do avô. A emoção é grande. Após o almoço, há uma missa na capela da aldeia, recuperada com a recolha de donativos, realizado no almoço das famílias.

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