Sociedade | 09-07-2008 11:20

“Devem ser os jornais a escrutinar os políticos e não o contrário”

O ex-presidente da Câmara de Santarém e actual presidente da concelhia escalabitana do PS, José Miguel Noras, referiu na sessão de terça-feira do julgamento que opõe o seu camarada e sucessor na autarquia, Rui Barreiro, a O MIRANTE que devem ser os jornais a escrutinar os políticos e não os políticos a escrutinar os jornais. Noras, que respondia a perguntas do advogado de defesa, realçou ainda que qualquer pessoa que tenha cargos públicos está sujeito à crítica e até usou de alguma ironia ao dizer que os faisões e pavões que tem na sua quinta se fossem presidentes de câmara também seriam naturalmente alvo de notícias. José Miguel Noras declarou que O MIRANTE é um jornal que “não fica à porta da notícia” e que nunca se sentiu ofendido pelas notícias. Acrescentou que o jornal respeita o princípio do contraditório e que publicou sempre com rigor e imparcialidade os esclarecimentos que pediu e que, garantiu, foram poucos ao longo da sua vida pública. Sobre as secções “E-mails do outro mundo” e “Cavaleiro Andante” onde apareceram críticas a Rui Barreiro, a testemunha salientou que estas são rubricas mais descontraídas e bem identificadas, realçando que nunca viu nelas qualquer situação ofensiva. Confrontado com notícias que estão no processo saídas pouco depois de Rui Barreiro tomar posse como presidente da câmara em 2002, onde este teria dito que a Câmara de Santarém se fosse uma empresa estaria em falência técnica, José Miguel Noras pediu para não falar sobre o assunto porque isso o obrigaria a sair do registo solene pelo qual estava a pautar as suas declarações. Recorde-se que estão a ser julgados três jornalistas de O MIRANTE pela prática de vários crimes de difamação. Rui Barreiro apresentou queixa em 2002 por se sentir ofendido com notícias e textos de opinião, alguns deles publicados nas rubricas satíricas Cavaleiro Andante e E-Mails do Outro Mundo. O ex-presidente da autarquia, que perdeu as eleições para Moita Flores (PSD) em 2005, responsabiliza o jornal pela sua derrota nas eleições autárquicas. Notícia mais detalhada na edição semanal de O MIRANTE.

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