Sociedade | 14-07-2008 15:40

Dúvidas na concretização da barragem de Almourol

A poucos dias de terminar o prazo para a entrega de propostas para a construção da barragem de Almourol, adensam-se as dúvidas de técnicos e autarcas sobre o interesse de investidores privados no projecto. Mário Samora, o engenheiro técnico responsável pela concepção da Barragem de Almourol nos anos oitenta, a construir no Tejo entre Abrantes e Constância, disse que o lançamento deste concurso "foi um erro de casting", classificando o Plano Nacional de Barragens (PNB) como "uma iniciativa atamancada e com projectos feitos à pressa". "O Plano Nacional de Barragens foi mal feito e o facto do Governo ter lançado inicialmente o concurso para a Barragem de Almourol à cota 31 e depois terem emendado para a cota 24 é a prova disso mesmo", afirmou. Segundo disse, "o projecto da barragem concebida nos anos oitenta era efectivamente para construir à cota 31, mas partia de pressupostos totalmente diferentes dos que hoje existem no terreno"."Estava prevista a construção de diques para proteger as zonas inundáveis entre Abrantes e Vila Franca de Xira e, com esses diques, podia fazer-se um projecto integrado que resultaria, não só na edificação da Barragem de Almourol, como também em tornar o rio Tejo navegável". Segundo disse à Lusa Mário Samora, "até hoje nada disso foi feito e, como tal, os pressupostos para a construção desta barragem não se verificam"."Reduzir a cota de 31 para 24 metros torna inviável a produção de energia eléctrica e não acredito que alguém concorra, até porque acima da cota 24 afogar-se-á a base da Barragem de Castelo do Bode com a consequente diminuição da sua produção", afirmou. Segundo disse, "a eventual construção das outras barragens incluídas neste 'pacote' não fica em causa, uma vez que o Governo abriu uma prerrogativa que permite que o potencial investidor não seja obrigado a concorrer à construção conjunta de Almourol, Fridão e Alvito, e que o possa fazer relativamente a apenas uma ou duas do conjunto".O presidente da Câmara de Constância, António Mendes, afirmou não ter "expectativas de qualquer natureza" relativamente à construção da Barragem de Almourol. Segundo disse, "a questão em si sempre foi qualificada por alguns especialistas como um nado morto". "A partir de certo momento, talvez um pouco antes de o inquérito público terminar, evoluímos para o bizarro de participar numa encenação teatralizada por vários actores com palco em Lisboa e alguns camarins aqui na zona", disse o autarca de Constância. Para António Mendes, "seria mais verdadeiro assumir o fracasso da localização no Tejo e encontrar uma alternativa", considerando que esta foi "uma maneira airosa de o Governo não dizer que não punha esta barragem a concurso, sob pena de abrir um precedente". "Presumo que o concurso ficará deserto e que novos actos, num quadro diferente, poderão surgir", afirmou.Uma opinião partilhada por Nelson de Carvalho, presidente da Câmara de Abrantes, que disse ser "previsível que a barragem não se construa pelas dificuldades de investimento e pela rentabilidade que a mesma, à cota 24, poderá representar para potenciais investidores". "Sempre achei que a barragem, sendo lançada à cota 24, e apesar de acautelar os interesses das populações ribeirinhas, dificilmente seria construída devido à sua menor produtividade e rentabilidade".

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