Sociedade | 28-07-2008 07:44

O rapaz que escolheu a rua para enganar a solidão

É quase impossível passar no empedrado da Rua Serpa Pinto, no centro de Vila Franca de Xira, sem reparar no rapaz que atravessa a estrada com a cadeira de rodas à custa da força de braços. Para descer a rua enfrenta os carros e vai acenando às pessoas que já se habituaram a vê-lo frente ao Minipreço.Chama-se Luís. Tem 40 anos. Vive no lar da misericórdia da cidade. Durante o dia foge da solidão das quatro paredes da casa nos cantos da rua que conhece como a palma das mãos. É lá que almoça e que recebe os cumprimentos calorosos de miúdos e graúdos. Não fica sentado a ver televisão. Prefere a movimentação da cidade. Viaja de comboio e choca-se com a pouca atenção que é dada a quem circula de cadeira de rodas. O pior são os carros estacionados no passeio. Em dias de jogos da selecção usa um lenço na cabeça com os tons da bandeira portuguesa. Fala com gestos desarticulados, mas quem o conhece não faz grande esforço para o perceber.O sonho de luís era ser motorista. Dobrar as curvas do asfalto. Correr o mundo. À falta de melhor corre a rua com a ajuda das mãos. É o mais novo de seis irmãos. A deficiência acompanha-o desde a nascença. Desde a altura em que o colocaram de lado. Pensando que estaria morto. O bebé mexeu. “Mas ainda aqui estou”, remata Luís.Leia a reportagem completa na edição semanal que sai à quinta-feira.

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