Sociedade | 26-02-2009 07:33

Atribuição da praça da Chamusca a aficionados locais contestada

A entrega da exploração da Praça de Toiros da Chamusca a um trio de aficionados locais não agradou a alguns dos empresários concorrentes que consideram que “as regras e os critérios estão feridos” quando se coloca no mesmo plano empresários com provas dadas no meio taurino e grupos de aficionados. “Em todo o mundo taurino, as praças são entregues a pessoas com provas dadas, com credibilidade, que garantam o bom funcionamento e espectáculos de qualidade. Em Portugal entrega-se praças a empresas que ainda não existem”, explica António Manuel Cardoso, conhecido por ‘Nené’, o empresário que explorava a praça da Chamusca há quatro anos e perdeu a concessão para o trio de empresários: Luís Inácio, José da Costa Soares e André Condesso.O provedor da Misericórdia da Chamusca, Fernando Barreto, explica que “a praça foi entregue a uma grupo de pessoas da terra que oferecem garantias” de um bom trabalho e que avançaram com o valor mais elevado das seis candidaturas apresentadas. A proposta vencedora prevê o pagamento de 12.500 euros na primeira temporada com direito de opção na segunda. António Cardoso, que está na organização de eventos taurinos há 28 anos, ofereceu 10 mil euros, menos mil euros que Pedro Vacas. O empresário de Vila Franca, Ricardo Levezinho, apresentou a proposta mais baixa (cinco mil euros) e a empresa Gestoiro de Paulo Tendeiro e Rodrigo Tendeiro avançou com oito mil euros. António Cardoso somou prejuízos nos últimos anos António Cardoso defende que o dinheiro não é tudo e a Misericórdia deveria ter em conta o seu passado na praça e o projecto de dignificação e de atracção de mais público com bilhetes mais baratos. “Estive durante quatro anos a suportar prejuízos porque investi em cartéis equilibrados que dignificaram a Chamusca. Tinha um plano para atrair mais público com preços ainda mais baixos. Para isso não podia pagar mais à Misericórdia”, justifica.A estratégia de bilhetes a partir de cinco euros também é protagonizada por João Pedro Bolota, o empresário que ofereceu apenas sete mil euros na primeira temporada, prevendo subir a parada nos anos seguintes. O antigo cabo dos Forcados de Alcochete aplaude o aparecimento de novos agentes na organização de corridas, mas critica a falta de rigor do processo. “Se isto fosse levado a tribunal, era tudo anulado. Não se pode aceitar propostas de empresas que ainda não existem”, refere, numa alusão aos vencedores.Luís Inácio, um dos empresários envolvido no projecto, garantiu que a empresa já está na forja, mas ainda não revelou o nome da mesma. O empresário estabelecido na Chamusca e antigo forcado dos Amadores da Chamusca não compreende tanta polémica com a mudança na gestão da praça. “A nossa empresa não pretende concorrer com os empresários que estão no meio. Apenas queremos organizar bons espectáculos na nossa terra. Temos ideias para fazer outras coisas sem ser corridas de toiros. É uma experiência nova, estamos motivados e contamos com todos os contributos”, disse o empresário.Ricardo Levezinho, jovem empresário que entrou há um ano no complicado mundo da organização de corridas, não alinha na crítica e aplaude o aparecimento de sangue novo. “São pessoas da terra que gostam da festa e merecem uma oportunidade como eu tive em Vila Franca”, ressalva.A nova empresa pretende inaugurar a temporada com um festival na Páscoa, vai organizar uma feira taurina com mais uma novilhada na Ascensão e a corrida dos 90 anos da Misericórdia em Agosto ou Setembro. Pelo meio vão aparecer outros espectáculos num aproveitamento das condições da praça.O provedor da Misericórdia tem esperança de que seja um ano de sucesso para a “Monumental da Chamusca” que é uma das jóias duma instituição com 360 anos a bem servir quem precisa. João Pedro Bolota veta forcados da Chamusca nas suas corridasO empresário João Pedro Bolota não viu com bons olhos a participação de aficionados ligados aos dois grupos de forcados da Chamusca no processo de candidatura para a concessão da praça e adiantou a O MIRANTE que não vai contratar nem os forcados dos Amadores nem os do Aposento para as corridas que organizar nas praças que explora em Santarém, Montijo, Nazaré e Azambuja. “Já os tinha metido na Nazaré, queria colocar os dois grupos na Chamusca, mas assim não os vou levar a lado nenhum”, referiu.O antigo cabo frisa que quer manter uma boa relação com todos os forcados mas garante que a sua posição é irreversível. “Perder a praça da Chamusca é menos um problema que tenho para resolver”, remata.

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