Sociedade | 14-05-2009 10:05

Morreu o antigo deputado de Alpiarça Álvaro Brasileiro

Morreu o antigo deputado de Alpiarça Álvaro Brasileiro
O antigo deputado de Alpiarça Álvaro Brasileiro morreu ontem com 74 anos depois de se ter sentido mal quando estava na sala de espera do Centro de Radiologia em Santarém a aguardar pela realização de um exame de diagnóstico. O agricultor, que chegou a ser um dos maiores produtores de melão da região, sofria de doença prolongada e tinha estado internado recentemente no Hospital de Santarém. O militante comunista foi vereador e eleito da assembleia municipal de Alpiarça, sendo um dos mais activos autarcas comunistas do distrito. Foi deputado da Assembleia da República, onde liderou a Comissão Parlamentar da Agricultura.O seu funeral realiza-se esta tarde às 17h00 em Alpiarça.Há cerca de um ano, Álvaro Brasileiro participou num debate promovido pela CDU onde comparou os socialistas de Alpiarça a outros bichos. “Depois do 25 de Abril criámos um belo edifício em Alpiarça e depois deixámos entrar os ratos, os fungos, as baratas e todo o tipo de bicheza. É altura de fazer uma desinfestação e colocar este edifício (o município) ao serviço do povo”. Apesar do seu estilo directo, pragmático e polémico, Álvaro Brasileiro era reconhecido por políticos de todos os quadrantes partidários. Um homem de carácter e de convicções, de palavra serena, que nunca deixou as diferenças ideológicas afectarem o relacionamento com adversários políticos. Um lutador pela liberdade e um exemplo para certos radicalismos que voltaram a surgir na nossa cena política. É assim que o deputado do PSD Miguel Relvas resume o modo de estar na vida de Álvaro Brasileiro.“A democracia portuguesa perde um homem bom, a região perde um defensor e eu perco um amigo”, diz Relvas, que conheceu Álvaro Brasileiro na Assembleia da República onde foi deputado entre 1979 e 1991. “Eu era muito novo. Teve comigo muitas vezes uma atitude simpaticamente paternalista. E é demonstrativo que independentemente das ideologias as pessoas podem ser de carácter e de valores”, acrescenta o também presidente da Assembleia Municipal de Tomar.Álvaro Brasileiro, filho de camponeses pobres, nasceu em Alpiarça a 2 de Março de 1935. Desde sempre ligado à actividade agrícola, fez a sua primeira seara de melão em 1958 nos campos de Valada do Ribatejo. Nesse ano apoiou a candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República. Em 1963 é preso pela GNR de Alpiarça. Passa pelas prisões de Aljube e de Caxias. Julgado no tribunal plenário da Boa Hora, é condenado a 16 meses de prisão correccional e a cinco anos de perda de direitos cívicos.A prisão não lhe arrefece os ânimos na luta pelos direitos e liberdades. Em 1969 faz parte da comissão de apoio à campanha eleitoral do MDP-CDE. Ajuda a criar comissões de defesa dos seareiros de melão e tomate. Em 1972 participa no congresso da oposição democrática em Aveiro. Em 1973 é candidato à Assembleia Nacional nas listas do MDP-CDE. Não é eleito.A democracia abre-lhe as portas da Assembleia da República em 1979, para onde é eleito deputado pelo PCP. É aí que José Niza, então deputado do PS, o conhece. “Recordo-o como um homem afável, simples e cordato, uma pessoa simpática. Convivíamos sobretudo em actividades políticas, como por exemplo a inauguração da Feira Nacional de Agricultura”.José Niza recorda que nessa altura o PCP tinha sempre pessoas ligadas à agricultura no seu grupo parlamentar. Na Assembleia Constituinte tinha sido António Abalada, também de Alpiarça. Em 1979 surgiu Álvaro Brasileiro, que nas funções de deputado chegou a presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas. “Sempre nos demos bem e politicamente nunca tivemos qualquer confrontação. Lembro-me de ele uma vez convidar alguns deputados do PS para conhecermos a Cooperativa Agrícola Mouchão do Inglês, de que era cooperante, e passámos lá uma tarde muito agradável”, recorda o ex-deputado socialista, músico e compositor.

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