Sociedade | 14-12-2009 09:59

Fantasma da Gripe A interfere com tradições religiosas de Natal

Fantasma da Gripe A interfere com tradições religiosas de Natal
O padre José Luís Borga considera “um absurdo” a posição tomada pela Comissão Nacional da Pastoral da Saúde, que desaconselha, do ponto de vista sanitário, o tradicional beijo nos pés do Menino Jesus dado pelos fiéis nas celebrações religiosas de Natal. Uma recomendação que pretende contribuir para evitar a propagação da Gripe A mas que nem todos os sacerdotes vão acatar, deixando a decisão ao livre arbítrio dos crentes.O mediático pároco de Nossa Senhora de Fátima, no Entroncamento, considera que a postura da Pastoral da Saúde é “um exagero” e garante que na sua igreja os fiéis vão poder beijar os pés da figura do Menino Jesus, se assim o quiserem fazer. “Parece que somos os culpados pela propagação da Gripe A”, observa José Luís Borga, lembrando que não se trata de um rito obrigatório. “Não vou proibir ninguém de beijar o Menino Jesus. Se fosse para evitar a propagação da Gripe A não se fazia também a celebração, não se distribuía a comunhão…”, declara, concluindo: “Cada um cuida de si e queira Deus que todos os contágios sejam por essa via”.Menos cáustico, o padre António Pereira, pároco de Abrã e Amiais de Baixo (Santarém), diz que o beijo ao Menino Jesus fica ao critério de cada um. “Normalmente digo às pessoas que o gesto vale tudo. Uma vénia ou um toque na imagem têm o mesmo significado. Mas não vou impedir ninguém de beijar a imagem”. O padre Ricardo Mónica, pároco de Várzea (Santarém), também acredita nas virtudes do gesto e vai aconselhar o seu rebanho a deixar o beijo ao Menino Jesus para ocasião mais propícia e a optar pela vénia.O padre Joaquim Ganhão, chefe de gabinete do bispo de Santarém, alinha pelo mesmo pensamento e diz que sendo essa uma questão que mexe com o hábito das pessoas não faz sentido impor uma mudança de comportamentos. “Aconselhamos cautelas, mas sem alarmismos. Muitos fiéis até já nem beijam a imagem, preferindo tocar com a mão ou fazer uma vénia”, revela.A polémica foi levantada após o coordenador nacional da Pastoral da Saúde, padre Vítor Feytor Pinto, ter considerado errado do ponto de vista da saúde o tradicional beijo no pé do Menino Jesus, aconselhando as pessoas a não o fazerem. “De facto, todas as pessoas a beijarem o mesmo pé do Menino [Jesus] em termos de saúde é errado e é daí que é um conselho que damos”, afirmou.O padre Manuel Lopes, que exerce nas freguesias do Cercal e Gondemaria (Ourém) há 10 anos, ri-se quando é confrontado com a questão. Diz que deixa a forma de adoração ao critério de cada um e passa a bola para o campo da classe médica. “Ainda não pensei nisso! A Pastoral de Saúde apenas sugeriu que não fosse feita a adoração de forma tradicional, apenas a reverência. Não sou médico, não sei se há perigo. Julgo que a nível nacional os médicos se deviam pronunciar e ainda não disseram nada”.O vizinho padre Fernando Varela, que dirige a paróquia da freguesia de Atouguia, concelho de Ourém, há 13 anos, diz que nada vai mudar relativamente a anos anteriores, quando não se falava de Gripe A, até porque, diz, “a maior parte das pessoas, cerca de 99 por cento, cumpre o ritual tradicional”, embora reconheça que “existem muitas formas de venerar a imagem”.

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