Sociedade | 24-01-2010 08:35

Antiga fábrica de curtumes está ao abandono e é espaço de marginalidade

O lixo e o entulho acumulam-se na Travessa da Quinta da Fábrica, em Povos, cidade de Vila Franca de Xira. Ao lado está o edifício em ruínas de uma antiga fábrica de curtumes, fundada em 1729, que foi uma das primeiras indústrias do país. A vegetação tomou conta do espaço, as paredes estão pintadas com grafittis, os vidros partidos e as portas foram arrombadas por toxicodependentes e sem-abrigo que usam a estrutura como refúgio. Os seus pertences são visíveis a partir do exterior do edifício. As seringas estão espalhadas pelo chão ao alcance de qualquer criança e alguns pedaços do muro de delimitação da fábrica estão a ruir para a via pública, transtornando a vida aos automobilistas. O alerta é dado por vários moradores da Rua Direita, situada a poucos metros do local, que temem passar próximo da fábrica sempre que a luz do sol desaparece. “Não tem iluminação nenhuma e é o local ideal para que eles se abriguem ali dentro. Há uns anos alguém ergueu paredes de tijolo nas portas e janelas para evitar que as pessoas ali entrassem mas já partiram aquilo tudo e agora dormem ali como se fosse um hotel”, critica Maria Jesus, moradora, a O MIRANTE.Outro morador, Pedro Horta, ironiza: “Isto é a fábrica do arroz de Povos. A diferença é que esta está perdida aqui no meio do mato e não no centro da cidade, senão já tinham acabado com esta vergonha”, acusa. Os residentes temem estar em causa a saúde pública e pedem que a Câmara Municipal intervenha com uma acção de limpeza ao local. “É fácil, basta vedar tudo e limpar”, conta outro morador. A Polícia de Segurança Pública de Vila Franca de Xira disse a O MIRANTE ter conhecimento do local e que o carro patrulha efectua rondas com frequência, sem que tenham ainda sido registados quaisquer problemas. Já os moradores dizem o contrário: “É muito raro a PSP passar aqui porque também têm medo do sítio, afinal de contas quem não tem! Felizmente nunca houve chatices. O mais complicado aqui é mesmo o mau cheiro que vem ali de dentro, o lixo, as seringas e o estado em que se encontra o edifício”, lamenta Maria Jesus. Outros moradores ouvidos pelo nosso jornal dizem lamentar que o espaço não seja reaproveitado, uma vez que está cercado de espaços verdes e beneficia de uma excelente localização na cidade.A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira explica que está previsto para o local um projecto privado na área do turismo, cujos pareceres já foram recolhidos e que já está licenciado pela câmara, desconhecendo-se ainda a data de arranque de futuras obras.Uma das primeiras indústrias do paísA fábrica que é hoje abrigo de toxicodependentes em Povos, Vila Franca de Xira, foi em tempos a Real Fábrica de Curtumes, fundada em 1729 e uma das primeiras indústrias nacionais, com processos mistos (manuais e mecanizados) de tratamento de couros. Aí viria a ser fundada também a Real Fábrica de Atanados da vila de Povos, por iniciativa de João Mendes de Faria, tornando-se uma afamada manufactura do tempo de D. João V, onde chegaram a trabalhar técnicos de origem inglesa, para além de oficiais do Ribatejo, contratados segundo a lógica da manufactura orgânica.

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