Sociedade | 06-09-2010 15:06

ETSA tem projecto para aproveitar efluentes sólidos para produzir energia

A Empresa Transformadora de Subprodutos Animais (ETSA) espera ver aprovada, no próximo dia 18, a candidatura ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para aproveitamento energético de efluentes sólidos das suiniculturas, num investimento de quatro milhões de euros.Este foi um dos projectos do grupo ETSA apresentados hoje ao ministro da Agricultura, António Serrano, numa visita às unidades de Coruche, Abapor (produção de comida animal a partir de resíduos e produtos de origem animal em fim de validade) e ITS (recolha e destruição de cadáveres e subprodutos de risco 1 e 2, não aptos para consumo humano ou animal).Luís Realista, administrador do grupo ETSA, explicou à Agência Lusa que o projecto para aproveitamento energético dos efluentes sólidos das explorações de suínos permitirá reduzir a poluição das lagoas em 70 por cento, sendo uma alternativa aos sistemas como o que está a ser pensado para a Ribeira dos Milagres (Leiria).O investimento que espera ver aprovado pelo QREN irá permitir substituir o combustível actualmente utilizado na ITS, a gordura animal, que poderá ser encaminhada para venda no mercado internacional de biocombustíveis, disse.O grupo está ainda interessado no alargamento da actividade da Abapor para preparação de produtos para consumo humano, nomeadamente congelando o pescado não escoado em lota para posterior utilização pela indústria de conservas, adiantou.Segundo disse, há ainda possibilidade de aproveitamento de alguns produtos dos matadouros, como as tripas, para encaminhamento, depois de lavadas e congeladas, para a indústria de salsicharia.O ministro da Agricultura realçou o papel das unidades do grupo tanto do ponto de vista ambiental como de saúde pública, lembrando o pioneirismo no aproveitamento dos subprodutos animais que antes eram abandonados e a importância da ITS na resposta à crise da BSE (vulgo doença das vacas loucas), no final dos anos 1990. A ITS recebe os cadáveres de animais suspeitos de terem contraído a doença e de outros não aptos para consumo humano nem animal, como os de animais domésticos, tartarugas, animais exóticos ou ainda leites com antibióticos e pescados e mariscos apreendidos.No próximo concurso, a fábrica espera ser autorizada a recolher cadáveres de coelhos e ainda de bovinos e suínos do arquipélago dos Açores.Esfolados, triturados, fritos em gordura e prensados, em recipientes estanques, estes subprodutos dão origem a gordura que é reutilizada no sistema (fritura) e usada como fonte de energia (a de categoria 1) e a farinha que é encaminhada, em camiões selados, para co-incineração em cimenteiras.Quanto à Abapor, Luís Realista lamentou que os mercados e supermercados continuem a enviar para aterro os resíduos e os produtos em fim de validade de pescado, carne e lácteos.Segundo disse, a unidade, única no país licenciada para o desembalamento, está a receber cerca de 200 toneladas/mês (grande parte proveniente da cadeia Lidl), quando tem uma capacidade para receber 2000 toneladas/mês, estando a ser enviadas para aterro sanitário cerca de 60 000 toneladas por ano. António Serrano realçou que esta é uma área da tutela do Ministério da Economia.

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