Sociedade | 14-09-2010 16:39

Enfermeiro acusado de abuso sexual de duas doentes moveu processo contra as queixosas

O enfermeiro do Hospital de Santarém que começou na terça-feira a ser julgado pelo alegado abuso sexual de duas doentes moveu um processo contra as queixosas por difamação, injúrias e denúncia caluniosa. Na primeira audiência, a advogada do arguido pediu para que os dois processos fossem juntos, mas o colectivo de juízes indeferiu o pedido. A advogada de defesa pediu ainda ao tribunal para solicitar ao hospital os registos de existências de medicamentos e o registo de entradas de utentes no serviço de urgências entre as 00h00 de dia 23 e as 24h00 de dia 25 de Março de 2009, alegando que os registos já enviados pelo hospital, e que fazem parte dos autos, são relativos ao ano de 2010, um ano após os factos referidos no processo. O pedido foi aceite pelo colectivo, que vai solicitar também as participações feitas pelas queixosas aos serviços administrativos da unidade.Confrontado com a acusação, o arguido negou que tenha praticado os actos de que está acusado pelo Ministério Público, referindo que não conhecia nem prestou assistência hospitalar a uma das queixosas. Quanto à outra, mais jovem, admitiu que lhe prestou assistência, explicitando que lhe fez uma recolha de sangue e lhe administrou, sob orientação de um médico, soro e medicamentos para náuseas e para alívio das dores. Negando que tenha usado substâncias indutoras de sono, afirma que este tipo de medicamentos só pode ser administrado sob receita médica e depois de requisitados junto da farmácia hospitalar com respectivo registo da sua utilização.O enfermeiro afirmou ainda que os factos não poderiam ter acontecido numa zona isolada, como disseram as queixosas, porque, segundo ele, na referida sala de tratamentos estavam mais profissionais de saúde e outros pacientes. O enfermeiro está acusado de dois crimes de coacção sexual. A acusação explicita que o profissional terá colocado o seu órgão sexual nas mãos das queixosas. O arguido encontra-se suspenso de funções, depois de ter sido transferido do serviço de urgências para o serviço de cirurgia. Enfrenta ainda um processo movido pela Ordem dos Enfermeiros, cuja conclusão vai depender do resultado do julgamento.Recentemente um grupo de profissionais do hospital fez um abaixo-assinado no qual se solidariza com o acusado. No documento subscrito por 52 pessoas diz-se que este é “um trabalhador empenhado, dedicado e respeitador”. Manifestam “todo o apoio” ao colega que, acrescentam, “sempre se revelou um excelente profissional e colega, acima de toda e qualquer suspeita menos digna”. E dizem que estão certos de que o enfermeiro vai poder “demonstrar a sua inocência, na qual todos acreditamos”.

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