Sociedade | 02-12-2010 07:58

Igreja não pode ignorar mensagem que emana do santuário

O cardeal patriarca de Lisboa defendeu hoje que a Igreja portuguesa não pode ignorar Fátima, considerando que “as pessoas que andam mais aflitas não perdem nada” em ir ao santuário.“No momento em que se está num dinamismo de reflectir e de estudar novos caminhos para a Igreja em Portugal, nós não podemos ignorar que Fátima aconteceu em Portugal e que tem um projecto de pastoral, de caminho de salvação muito concreto e que o nosso povo já nos mostrou que aderiu”, disse José Policarpo.Em Fátima, onde discursou na jornada de apresentação do programa de comemorações do centenário dos acontecimentos de 1917, José Policarpo afirmou aos jornalistas que a Igreja tem feito “um caminho muito bonito de fidelidade à mensagem” de Fátima, mas que deve inspirar-se “muito nessa proposta de Deus através de Nossa senhora”.O cardeal patriarca sustentou que a mensagem de Fátima “é muito rica e muito aberta a cada tempo e a cada circunstância porque é uma proposta global num caminho muito simples, com uma linguagem que toda a gente percebe e que desencadeia atitudes mais do que ideias e é adaptável a todos os tempos”.Sublinhando que a sua mensagem não está esgotada, “como o Evangelho não está”, José Policarpo acrescentou que “Fátima é um grito de alerta num determinado momento da história, mas que tem essa vitalidade de ser entendível noutros momentos da história”.“Em todos os momentos da nossa vida, devemos ir ao encontro de Deus e podermos acolher Deus e a sua mensagem”, adiantou, admitindo: “É quando estamos aflitos que entendemos melhor a mão que Deus nos estende e a mensagem de Fátima é certamente uma mensagem para os aflitos”.Questionado sobre a crise, José Policarpo referiu que “é preciso não perder a esperança”, pois sem ela “não se constrói nada”.“Nós somos uma comunidade nacional com oito séculos, não é uma dificuldade histórica transitória que vai vergar Portugal”, declarou, estabelecendo um paralelismo da crise com a mensagem de Fátima: “Tem o apelo ao sofrimento, tem o apelo à confiança, tem o apelo à fraternidade, tem o apelo à adoração e a entregar a Deus os nossos problemas”.Para o cardeal patriarca de Lisboa, “as pessoas que andam mais aflitas não perdem nada se vierem a Fátima e olharem para Nossa Senhora”.Já o bispo da Diocese de Leiria-Fátima, António Marto, disse que “Fátima é do género daquelas profecias cujo conteúdo nunca se esgota e que é preciso sempre actualizar”.Para António Marto, “cem anos já é uma data memorável, quer para olhar retrospectivamente e ver como é que a mensagem iluminou” a vida da Igreja e do mundo ou como influenciou a cultura portuguesa.O prelado acrescentou que o momento deve ser igualmente aproveitado para olhar para o futuro e “como é que a mensagem hoje vai ajudar à evangelização do mundo novo, que é o século XXI, como é que poderá iluminar a história e, sobretudo, também contribuir para a aproximação entre os povos e abrir caminhos de paz num mundo muito fragmentado, muito dividido e até conflituoso”.

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