Sociedade | 02-12-2010 07:55

Nunca é tarde para aprender

O auditório da Nersant, em Torres Novas, encheu-se na sexta-feira, 26 de Novembro, para receber as 128 pessoas que viram reconhecidas as suas competências pelo Centro de Novas Oportunidades (CNO) dessa associação empresarial. De várias idades e com diferentes percursos de vida, esta foi a oportunidade, para muitos, de realizar um sonho há muito adiado. Chamado ao palco para falar da sua experiência, Adriano Sousa, 29 anos, de Riachos, Torres Novas, deixou o seu testemunho emocionado: “O Centro Novas Oportunidades trouxe-nos algo que não esperaríamos há muito tempo, por isso não é o fim”. “Este ensino não é visto da melhor forma no exterior, parece que não nos esforçamos. Mas este método é muito bom”. Adriano Sousa completou o 12º ano e frequenta agora a Universidade Aberta. “Porque as Novas Oportunidades o permitiram. Nós fomos os responsáveis por este diploma”. A oportunidade foi também aproveitada por Carlos Barata, 54 anos, a trabalhar numa oficina em Torres Novas. Mecânico de profissão, como muitos terminou a escolaridade na 4ª classe e foi trabalhar. Passou pela República Democrática do Congo, pela República Popular do Congo e por Angola, tendo regressado há três anos a Portugal. “O saber não ocupa lugar”, afirma.“Futuramente espero ver vantagens, até agora ainda não vi resultados”, comenta Carlos Barata. Se continuar por Torres Novas, pensa fazer o 12º ano. Destacando que “nunca é tarde para aprender”, gostou das áreas de informática e da matemática, tendo contado no portfólio grande parte da sua vida. “Contei muito e tinha muito mais para contar”, refere rindo.Da sua turma, muitos desistiram. Ficaram sobretudo as mulheres. “Uns não conseguiram conciliar, outros deixaram de aparecer”. Mas “não foi difícil, desde que haja vontade”. “Vemos pessoas na televisão com 70 anos a fazerem o 12º ano e vão para a universidade”, refere. “Os que desistem, para mim, talvez seja por falta de força de vontade”, conclui.Celeste Bento, 54 anos, Maria Craveiro, 50 anos, e Rosa Cerdeira, 50 anos, pertencem a um grupo de seis alunas de Alferrarede, Abrantes. Animadas, comentam que o grupo foi diminuindo, com muitos colegas a desistirem. “Começaram a aparecer os trabalhos, algumas não tinham ajudas e desistiram”, comentam.A história mais difícil vem de Rosa Cerdeira. A meio do curso ficou doente e esteve para desistir. “Mas tanto insistiram que continuei”. Hoje sente-se realizada e espera seguir para o 12º ano. “Estive de baixa, estive quase a perder o andar, mas com muitos sacrifícios consegui ir às aulas”. “Agora venho receber o diploma, mas já estou reformada por invalidez”. Diz que sempre quis estudar, mas aos 14 anos ficou órfã e teve que ir trabalhar. “A vida foi sempre dura. O curso devia era ter durado mais tempo”. O presidente da Nersant, José Eduardo de Carvalho, saudou o esforço dos 128 alunos - 112 fizeram o 9º ano e 16 o 12º ano - em concluir a sua formação. “Espero que este esforço ajude a manter o emprego” e na afirmação profissional. “Sabemos que são tempos difíceis “, mas é necessária coragem para prosseguir.Já a Governadora Civil de Santarém, Sónia Sanfona, elogiou a motivação de todos os alunos, que lhe permitiu estar de novo presente numa entrega de diplomas. “A Nersant tem tido um trabalho de grande importância na valorização do empreendedorismo na região. Esta oportunidade é mais um contributo para o desenvolvimento do nosso distrito”.

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