Sociedade | 02-12-2010 07:47

Vendedores contestam aumento de taxas no mercado grossista

O aumento da anuidade exigida pela Câmara de Torres Novas aos comerciantes que se vão abastecer no mercado grossista da cidade está a ser contestado. Na última reunião do executivo camarário alguns negociantes de produtos agrícolas foram dar conta da sua insatisfação pelo aumento da taxa anual de 6 para 17 euros para renovação do cartão de retalhista que lhes dá acesso ao mercado. O presidente do município, António Rodrigues (PS), referiu que o novo regulamento das taxas municipais já está aprovado e que o período de inquérito público já decorreu. A representante dos grossistas do mercado de Torres Novas, Sónia Alves, diz que “não se pode tolerar um aumento tão grande para o retalhista”. Para muitos, a ida ao mercado grossista de Torres Novas deixa de compensar e alguns já ameaçaram deixar de o frequentar. E os grossistas são afectados por tabela. “Isto é uma roubalheira de 300 por cento”, diz. “Se começarmos a ver os nossos clientes a irem embora, vamos reunir-nos e procurar uma solução. Talvez mudar o mercado de segunda-feira para o Entroncamento”. Pois “se os retalhistas forem embora, alguns grossistas também vão desistir de vender em Torres Novas”, afirmou.Nos mercados grossistas que Sónia Alves já frequentou (Entroncamento, Tomar, MARL, Coimbra, Porto), nem sequer é exigido aos retalhistas o pagamento de uma taxa para poderem fazer as suas compras. E a indignação cresce quando constatadas as condições de que dispõem no mercado torrejano, junto à Nersant, muito aquém, por exemplo, das do Entroncamento. “Não temos casas de banho e só há pouco tempo o espaço foi cimentado. Não há sacos do lixo, só alguns varredores. Quando há feiras, como a dos frutos secos, mandam-nos para um terreno em terra batida que, quando chove, fica todo lamacento”. A iluminação também é escassa. Sónia Alves é de Torres Novas e reconhece que o encerramento do mercado grossista local só lhe traria vantagens, uma vez que possui um armazém. Mas esse não é o caso do colega José Boleicho, da Nazaré, que faz 50 quilómetros até Torres Novas e gasta cerca de 20 euros em combustível na viagem. “É o fim do mercado. As pessoas não vão pagar para comprar”, destaca.Segundo declarou o vereador Mário Mota (PS) na reunião camarária, o cartão do retalhista foi criado para distinguir o verdadeiro retalhista do cidadão comum, que muitas vezes acorre a estes mercados. “Isso é uma defesa deles, uma forma de angariar uns trocados”, responde José Boleicho. Para os retalhistas, o aumento do custo da anuidade vem juntar-se ao aumento geral dos preços e a diminuição da margem de lucro. “É um aumento muito grande. Seremos obrigados a deixar de ir a Torres Novas porque não vendemos”, comentou Isabel Semedo, vendedora de hortaliça no Entroncamento. A justificação da autarquia para a existência do cartão do retalhista “é uma desculpa”.“Não ganhamos para as despesas, isto está muito mau”, afirma por seu lado o retalhista António Nunes, natural de Torres Novas. Já Francisco Lopes, do Entroncamento, refere que se a taxa efectivamente aumentar vai fazer as compras para outro

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