Sociedade | 02-07-2011 00:23

Vandalismo e degradação tomaram conta da antiga escola do Arneiro das Milhariças

Vandalismo e degradação tomaram conta da antiga escola do Arneiro das Milhariças
Fios eléctricos roubados, portas partidas, fechaduras danificadas, vidros partidos. Estas são as cores com que se pinta o quadro de degradação em que se encontra a antiga escola primária de Arneiro das Milhariças, um imóvel propriedade da Câmara de Santarém que está ao abandono há anos e hoje é utilizado para actividades marginais que nada têm a ver com os fins para os quais foi construída há umas boas décadas. O presidente da Junta de Freguesia do Arneiro das Milhariças dá a voz à desolação de forma sintética no local onde aprendeu a ler. “É uma pena deixar degradar isto tudo, até pela antiguidade e história desta casa”. Basílio Oleiro anda há alguns anos a contactar a câmara, chamando a atenção para o desperdício que é deixar o imóvel ao abandono e reclamando obras. No anterior mandato ainda conseguiu que os serviços municipais fizessem um orçamento, na ordem dos 30 mil euros, para obras que nunca chegaram a avançar. A intenção era criar ali um espaço de convívio para os mais velhos. Entretanto o autarca mudou de ideias e diz que o espaço seria bom para instalar a sede do rancho folclórico local, que não tem um espaço próprio. O município já tem conhecimento dessa intenção. Na última sessão da Assembleia Municipal de Santarém, Basílio Oleiro voltou à carga, aludindo ao abandono do imóvel. Contactada por o MIRANTE, a vereadora com o pelouro da Educação, Luísa Féria (PSD), diz que há “todo o interesse” em ceder a antiga escola a título gratuito ao rancho, mas ressalva que o município não tem meios financeiros para proceder à reparação do edifício. “Tomara a câmara ter dinheiro para as obras de manutenção das escolas que estão a funcionar. Penso que a cedência já é uma grande ajuda”, diz a autarca. Acidente em festa de Natal motivou encerramento A escola foi desactivada há cerca de três décadas, tendo estado desaproveitada durante muitos anos, até ser recuperada no ano 2000 para ali instalar uma cozinha da Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém que garantia o fornecimento das refeições do apoio domiciliário a idosos e ainda às crianças da escola primária e do jardim de infância locais. Em Dezembro de 2002, o soalho de uma sala onde decorria uma festa de Natal para idosos abateu inesperadamente e fez precipitar mais de uma dezena de pessoas para um buraco com cerca de dois metros de altura, que funciona como caixa de ar. Catorze pessoas foram assistidas no Hospital de Santarém, mas não se registaram feridos graves. A Câmara de Santarém mandou nesse próprio dia fazer uma vistoria ao local para se apurar em concreto as causas da ocorrência. Os peritos que estiveram no local ordenaram o encerramento do edifício por não oferecer garantias de segurança. A partir daí cessou a utilização do espaço. Pelo que se pôde observar, as vigas em madeira que suportavam o soalho não se encontrariam já em boas condições, desgastadas pela humidade e pelos anos, tendo cedido ao peso das dezenas de idosos. A sala tinha sido remodelada em 2000, tendo levado um soalho novo, e praticamente não havia tido utilização desde essa altura.

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