Sociedade | 04-07-2011 07:20

Presença de Camões em Constância é confirmada pela tradição e referências de estudiosos

A presidente da Associação Casa Memória de Camões afirmou domingo que o poeta quinhentista passou por Constância nos anos 1546 e 1547, alicerçando as suas convicções na tradição popular e nas referências ao local feitas por estudiosos da sua vida e obra.Em declarações à agência Lusa, à margem do colóquio ‘Camões pelo Mundo’, Ana Maria Dias afirmou que “os indícios da sua presença em Constância, onde terá cumprido uma pena de dois anos de desterro, são demasiado fortes”, assentando na “tradição oral e popular que tem perdurado nos tempos, nos amigos íntimos e companheiros de estudo e paródia”, alguns de Constância.“Camões descreve em alguns dos seus poemas paisagens que se enquadram com Constância, nomeadamente na Elegia do Desterro, onde fala do outeiro, dos penedos banhados pelas águas, das côncavas barcas e do eco dos rios que se abraçam, sendo uma óbvia ligação à confluência dos rios Tejo e Zêzere”, defendeu.“Por outro lado”, continuou, “biógrafos e estudiosos da sua obra fazem esta mesma interpretação, como Pedro de Mariz, que lembra o desterro de Camões devido a uns amores no Paço da Rainha, Teófilo Braga, que relata o local do degredo como o sítio onde o Tejo e o Zêzere se misturam, ou Oliveira Martins, quando diz que foi lá, no eco da confluência dos rios, que Camões ouviu as Tágides “segredarem-lhe Os Lusíadas”.Ana Dias sustenta ainda a sua tese na tradição popular, tendo lembrado uma acta de 1880 em que a câmara havia decidido promover uma festa em honra a Luís de Camões por ocasião do tricentenário da sua morte. “Uma comemoração tanto mais justa quanto é certo o dizer-se que residiria por algum tempo nesta povoação”, então denominada de Punhete, lembrou.A presidente da associação defendeu ainda a conclusão da Casa Memória, um edifício que começou a ser recuperado nos anos 40 sobre as ruínas da casa onde terá residido o poeta. Desde então, Adriano Burguette e, mais recentemente, a jornalista Manuela de Azevedo, que comemorará 100 anos em Agosto, dedicaram a sua vida a recuperar a casa e a preservar e a divulgar a sua obra. “Tudo indica que o dia 7 de Dezembro de 2012 será aquele em que iremos inaugurar a Casa Memória de Camões”, antecipou Ana Dias.

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