Sociedade | 14-07-2011 00:04

Funcionários de fábrica "chocados" com despedimento por telefone

Os dezoito funcionários de uma fábrica de pastelaria, que ficaram esta quarta-feira, 13 de Julho, sem emprego em Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes, afirmaram à Lusa estarem “chocados” com o facto de terem sido informados do seu despedimento, na véspera e por telefone.Daniel Vilhais, um dos três distribuidores da fábrica de padaria e pastelaria ‘Rossiense’, foi o único funcionário da empresa a receber a informação directamente pelo patrão, actualmente incontactável e em parte incerta.“Soube por acaso porque me desloquei ontem ao fim da tarde à fábrica para pedir o dia para ir ao médico e foi então que o patrão me disse que não era necessário porque a fábrica ia fechar as portas por ordem do Tribunal, por dívidas a outras empresas e fornecedores”, contou à Lusa. Com 58 anos e “três anos de casa”, Daniel Vilhais afirmou ter assistido aos telefonemas do patrão para as suas colegas de trabalho a anunciar o despedimento imediato.“Sempre manifestou uma grande desconsideração e desprezo pelos funcionários mas fazer uma coisa destas revela uma insensibilidade brutal e uma falta de humanidade a toda a prova”, observou, afirmando-se “chocado” com a atitude do dono da fábrica."A partir de amanhã a empresa está fechada, escusam de cá vir. Vão receber a carta para o desemprego", foi a conversa que Daniel Vilhais recuperou para a Lusa, ao mesmo tempo que exibia o documento.“E aqui está. Recebi a carta para o desemprego hoje à tarde o que significa que isto foi tudo pensado e premeditado”, afirmou, lamentando a “pouca sorte” e o desemprego da esposa.“Só eu é que ganhava para a casa, agora como é que vai ser?”, questionou, referindo que aos 58 anos é-se “muito novo para a reforma e muito velho para trabalhar”. Vitória Paula, 44 anos, já trabalhava há onze anos para a mesma fábrica e confessa com revolta: "Quando recebi o telefonema fiquei em estado de choque e nem queria acreditar. Não estava a contar com aquilo porque sempre tivemos trabalho, dávamos horas a mais e as encomendas eram sempre bastantes", lembrou.“Dediquei onze anos da minha vida à fábrica e numa hora tudo acabou. Sem indemnização e só com 18 meses de subsídio de desemprego o que vai ser de mim?”, lamentou-se.Sofia Cristovão está mais serena, mas não aguenta as lágrimas. Dedicou 16 anos da sua vida à empresa. "Fiquei desesperada", admite. O que mais chocou Sofia foi a "insensibilidade" do proprietário da ‘Rossiense’ ao optar por um telefonema. “Fiquei muito desiludida e muito triste”, contou, depois de uma noite de “vigília” para que ninguém retirasse a maquinaria de dentro da fábrica. “Pode ser que depois de se pagar aos fornecedores ainda reste alguma coisa para nós”, observou.

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