Sociedade | 19-07-2011 14:45

Município do Sardoal oferece refeições quentes diárias a crianças e cidadãos carenciados do concelho

Preocupados com o avolumar de casos de carências económicas detectados em jovens em idade escolar, os responsáveis do município de Sardoal decidiram começar a fornecer uma refeição quente diária a crianças e às respectivas famílias.Os serviços de acção social da autarquia e o agrupamento de escolas do concelho, que abarca cerca de 600 alunos, tem sinalizadas 250 crianças como carenciadas e que recebem apoio alimentar gratuito ao longo do período lectivo, sendo que “os casos mais complicados” – “algumas dezenas”, segundo o vice-presidente da Câmara de Sardoal -, recebem um apoio alimentar suplementar, nomeadamente pequeno-almoço e lanche.A medida, lançada na semana passada, visa “minimizar os efeitos da actual crise” que o país atravessa e que, segundo Miguel Borges, “atingiu profundamente alguns extractos da população” local, nomeadamente as crianças em idade escolar e que, em pleno período de férias, se vêem “privadas da única refeição quente de que dispunham” ao longo do dia.“Se no período lectivo sabíamos das carências que as crianças apresentavam e da importância de podermos fornecer-lhes algumas refeições, na verdadeira acepção da palavra, não os poderíamos abandonar no período de férias grandes”, observou, em declarações à Lusa.As refeições, compostas por sopa, pão, um prato principal e fruta, são confeccionadas na cantina do Agrupamento de Escolas de Sardoal, onde as famílias sinalizadas se deslocam para obter os bens alimentares, previamente preparados.“Tudo com o maior sigilo e discrição”, observou Miguel Borges, apontando para os casos “crescentes” de pobreza “envergonhada”, de “pessoas que tinham determinada posição na vida mas que hoje não a conseguem manter e têm alguma relutância em assumir a nova condição”.Para o autarca, “o maior problema são as crianças” que fazem parte daqueles agregados familiares.“Se os pais não vêm pedir ajuda nem alimentação porque têm vergonha, quem mais paga são as crianças, que apanham por tabela em idade de aprendizagem e crescimento”, vincou.Desvalorizando as despesas inerentes à implementação do plano especial de alimentação às famílias carenciadas – “é função e obrigação ética e social da autarquia dar de comer a quem nos bate à porta” - Miguel Borges afirmou estar preparado para lançar outros projectos de âmbito social e solidário, abrindo “desde já” as portas da cantina a todas as pessoas necessitadas do concelho.“A Loja Social tem cerca de 100 pessoas sinalizadas e que a utilizam regularmente em busca de roupa, calçado, brinquedos e detergentes, por exemplo, e já decidimos que a cantina da escola vai estar aberta a todos os que dela necessitarem, sejam idosos, desempregados ou pessoas com dificuldades financeiras circunstanciais”, assegurou.“Se as autarquias não prestarem este serviço de proximidade às pessoas, quem é que presta?”, questionou, com um olhar de quem já forma uma nova ideia, para em seguida, já de telefone em punho, revelar que ainda vai tentar “oferecer os livros escolares a todas as crianças do ensino primário”.

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