Sociedade | 11-03-2012 05:46

Empresários queixam-se de furtos superiores a um milhão de euros e pedem medidas

As empresas instaladas na zona industrial de Rio Maior exigem medidas que impeçam o “flagelo” dos assaltos de que têm sido vítimas e que estimam ter gerado no último ano um prejuízo superior a um milhão de euros.António Carvalho, da Galtrailer, empresa de construção de veículos pesados de transporte e maquinaria agrícola, que exporta a quase totalidade da sua produção, disse à Agência Lusa que a situação “é gravíssima”, não havendo uma das 54 empresas instaladas nesta zona industrial que não tenha sido assaltada, muitas delas várias vezes.“Roubam o que querem. Estamos desesperados”, disse o representante dos empresários, lamentando o estado de abandono em que se encontra a área, para a qual reclamam controlo dos acessos, sobretudo à noite e ao fim de semana, e reforço da iluminação e das rondas nocturnas.Os empresários vão ser recebidos na segunda-feira pela presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Isaura Morais, a quem vão colocar o problema.António Carvalho indicou à Lusa que o tipo de assalto que é praticado na zona – com furto de equipamentos industriais e componentes da indústria pesados, como máquinas de soldar, eixos, pneus, sistemas de travagem e eléctricos, cabos de cobre, gasóleo, entre outros – “requer meios também pesados” e demora tempo.“Quando vemos noticiados furtos de poucos milhares de euros e são esquecidos estes, parece-nos no mínimo um escândalo”, afirmou, lamentando que nada seja feito para pôr cobro a uma situação que só vem agravar mais ainda as condições que as empresas já enfrentam perante “a crise económica avassaladora” que se vive.No caso da Galtrailer, António Carvalho afirmou que num assalto a seguir ao Natal “levaram 60 rodas de camião” (com um custo de cerca de 800 euros cada) e nem o reforço dos alarmes entretanto instalados evitou que no passado dia 25 de Fevereiro tenham tirado mais 20 rodas a um conjunto de camiões, um deles militar, que estavam prontos para sair para exportação.Além do prejuízo imediato, foi a própria encomenda que ficou comprometida, afirmou.António Carvalho sublinhou que, além dos empresários, é o Estado a ser lesado, porque não cobra IVA nem IRC desse material furtado. “Era bom que as autoridades percebessem que por cada 1.000 euros que são roubados às nossas empresas, o Estado fica lesado em cerca de 500 euros”, frisou.“A maior vergonha é sabermos que por vezes são identificados alguns dos autores destes crimes, mas quando são presentes a tribunal saem em liberdade com termo de identidade e residência, muitas vezes falsa, obrigando a polícia a dedicar meios que se revelam infrutíferos, e, passado pouco tempo, muitos deles voltam a cometer crimes idênticos, fazendo desta actividade o seu modo de vida”, afirmou.O representante lamentou ainda a incapacidade de identificar e punir as redes de receptadores e sublinhou que os materiais roubados, tratando-se de componentes industriais novos, “só são vendáveis através de industriais similares ou outros intermediários do ramo”.

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