Sociedade | 23-03-2012 14:06

Advogado com ligações a Santarém admite que foi do seu escritório que saiu pedido de dinheiro pela aprovação do Freeport

O advogado Albertino Antunes, admitiu ontem em Tribunal que foi do seu escritório que saiu um documento em que é pedido dinheiro para aprovar, em 48 horas, o projecto Freeport em Alcochete. Após algumas contradições e de ter sido confrontado com o documento que está no processo, o advogado, com ligações a Santarém, aceitou que o documento tenha saído do escritório onde era associado, que fez trabalhos para a Smith & Pedro, consultora do grupo Freeport, mas não conseguiu explicar se a quantia aí mencionada 1,250 milhões se referia a escudos ou euros, tendo também negado a autoria do mesmo.Segundo a TVI 24, o jornal Correio da Manhã e a revista Sábado, a sociedade de advogados de que faziam parte Albertino Antunes e José Francisco Gandarez, também com ligações a Santarém, prometia a viabilização do projecto Freeport e mencionava a já referida importância. A proposta foi feita dois dias antes do chumbo do projecto pelo então secretário de Estado do Ambiente.José Gandarez é natural de Santarém, onde é eleito da assembleia municipal pelo PSD, desempenhando o cargo de 1º secretário da Mesa. Albertino Antunes foi um dos fundadores do jornal O Ribatejo. À altura do envio do fax (Dezembro de 2001) José Gandarez já não era sócio do escritório de advogados, de onde se desvinculara em Julho de 2002, apesar de o seu nome constar ainda à data no nome da firma.O processo relativo ao centro comercial Freeport de Alcochete está relacionado com alegadas suspeitas de corrupção no licenciamento daquele espaço, em 2002, quando o antigo primeiro-ministro, José Sócrates, era ministro do Ambiente. Neste momento, o processo tem dois arguidos: Charles Smith e o seu antigo sócio na empresa de consultoria Manuel Pedro, que serviram de intermediários no negócio do espaço comercial.

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