Sociedade | 05-05-2012 14:49

Biblioteca de Pacheco Pereira privada à espera de definição da Lei das Fundações

O historiador José Pacheco Pereira espera pela clarificação da nova Lei das Fundações para decidir o destino a dar à sua biblioteca/arquivo, que “atingiu tal dimensão que não pode continuar a ser privada”.O historiador tem cuidado sozinho de um acervo bibliográfico, documental e de objectos que foi reunindo desde a adolescência e que preenche grande parte das divisões da casa onde vive há 20 anos, na Marmeleira (concelho de Rio Maior).“Atingiu tal dimensão que não pode continuar a ser privado nem familiar. Tem que ser encontrado um enquadramento institucional e uma fundação parece o mais adequado”, disse à Lusa.Contudo, Pacheco Pereira receia que, “para tentar combater a fraude de algumas fundações, e em particular os abusos das próprias fundações do Estado, que nem deveriam existir”, se avance para uma legislação “que parte do princípio da desconfiança”.Para o historiador, não faz sentido fazer uma lei que obrigue as fundações a criar uma estrutura burocrática “tão grande que o grosso da despesa” será para manter essa estrutura.No seu entender, a solução terá que passar pelo controlo da concessão de utilidade pública, “porque o abuso está na utilidade pública concedida a fundações que são fictícias e que se destinam a fugir aos impostos”.Pacheco Pereira tem na sua casa da Marmeleira mais de 110.000 títulos, entre livros e brochuras, grande parte deles digitalizados e disponibilizados na página electrónica “EPHEMERA” - http://ephemerajpp.wordpress.com/ -, que conta com mais de 5.000 entradas.Todas as semanas chegam a sua casa donativos, parte deles resposta ao apelo que faz para que ninguém deite fora papéis ou materiais de campanhas ou acções políticas que fazem a memória da história política e social contemporânea.Ao grupo que esta sexta-feira visitou a sua casa – professores que participam na terceira edição dos encontros Bibliotecando, que se realizam em Tomar – mostrou, na sala “onde começa a cadeia produtiva”, alguns dos objectos chegados esta semana, como discos em vinil vindos de um país do Leste Europeu ou material da campanha eleitoral francesa.

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