Sociedade | 16-05-2012

O informático que passou meio ano a fotografar os avieiros

Ricardo Peixeiro, 34 anos, cruzou-se há alguns meses com o romance “Avieiros” na Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira. Em sorte coube-lhe uma edição especial em que Alves Redol conta, em prefácio, a breve história deste romance a partir de Caxias, Novembro de 1967.A história dos “nómadas do rio”, gente da beira Tejo a quem chamam de avieiros, como se dissessem “outra gente” arrebatou o jovem programador informático a residir em Vila Franca de Xira há quatro anos.Depois de uma carreira de quase 15 anos Ricardo Peixeiro viu-se desempregado e aproveitou o tempo livre dos seus últimos seis meses para mergulhar num projecto que trazia já a amadurecer dentro de si: explorar a sua paixão pela fotografia captando a vida da comunidade avieira que ainda subsiste no Esteiro do Nogueira, na zona ribeirinha de Vila Franca de Xira, para lá do Jardim Constantino Palha e com a ponte Marechal Carmona no horizonte.Deixou de ter como tema as ruelas e personagens de Lisboa, onde trabalhou e se iniciou como amador na fotografia, e lançou-se rio adentro à moda antiga. Com rolos a preto e branco para captar a nostalgia deixando de lado o digital manipulável até à perfeição.Ricardo Peixeiro quis atingir o “preto e branco do neo-realismo”, fiel ao romance de Redol e a uma corrente que aprecia, desde os filmes italianos até às obras marcantes nacionais. Aproximou-se da comunidade lentamente ganhando a confiança que lhe permitiu captar as imagens com espontaneidade. A figura humana é a base da fotografia de quem se considera um “observador da sociedade”.O trabalho iniciou-se em Novembro de 2011 e prolongou-se até à primavera de 2012. Três ou quatro horas passadas à beira rio com os avieiros entre perguntas, fotografias e almoços de açorda de ovas de sável e barbo. “Estar disponível para acolher alguém à mesa da refeição é estar disponível para partilhar algo que é muito importante”, reconhece.Quando percebeu que conseguiria concretizar o projecto propôs a ideia de uma exposição ao Projecto de Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional, Património Avieiro, que o acolheu.Ao longo dos seis meses captou mais de mil imagens. Fechou-se depois durante dois dias em casa para escolher as melhores 31 fotografias para a exposição “Sombras no esteiro”, que pode ser vista de 19 a 31 de Maio no Centro de Artes do Rio Manuel do Vau, em Vila Franca de Xira, e em Junho na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém. Entrevista completa na próxima edição.

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