Sociedade | 04-01-2013

Igreja de Santa Iria ameaça ruína e paróquia está a retirar talha dourada dos altares

A talha dourada dos cinco altares da da igreja de Santa Iria, na Ribeira de Santarém, começou a ser retirada esta semana. A decisão foi tomada devido ao risco de ruína do edifício, que se encontra fechado há 15 anos. Do mesmo local estão a ser retirados por precaução e para salvaguarda outros objectos de valor como castiçais, azulejos e o que resta do órgão da igreja, ao qual foram roubados os tubos. Há fendas enormes nas paredes, com destaque para a fachada principal onde a portada está sustentada por dois barrotes de madeira. E um dos altares também está escorado por dois barrotes. Apesar de a recuperação da Igreja poder vir a custar cerca de 300 mil euros o novo pároco da Ribeira de Santarém, António Vicente, diz que o imobilismo não ajuda e que esta medida de salvaguarda e limpeza é a primeira resposta à situação. Do chão da igreja começaram a ser retirados diversos pombos mortos e dezenas de quilos de dejectos. A operação deverá decorrer durante duas semana e o património de valor existente será encaminhado para restauro. A igreja que se calcula ser do século XIII ou XIV assenta sobre um cemitério medieval e uma linha de água, o que não tem ajudado à sua estabilidade, situação agravada pela proximidade da linha de caminho de ferro do Norte.“O problema é de estrutura. A igreja está a ceder e a movimentar-se podendo ruir parte da igreja de um momento para o outro. Estamos a retirar a talha dourada e as madeiras para que sejam tratadas e um dia seja possível repor este património. As peças vão ser catalogadas, fotografadas e tratadas. Quanto à estabilização do edifício e substituição da cobertura, os técnicos dizem que são necessários cerca de 300 mil euros só para fazer essas obras. Vamos tentar fazer uma candidatura a fundos comunitários, só vejo essa opção”, diz o padre António Vicente. Em 2002 foi preparada uma candidatura ao programa Al-Margem, integrada na requalificação da margem ribeirinha da Ribeira de Santarém, tendo sido gastos 25 mil euros num projecto mas a hipótese não se concretizou. Posteriormente houve outra tentativa de obtenção de financiamento através da Direcção Geral das Autarquias Locais que também se gorou. O pároco refere que está a constituir equipas com pessoas da freguesia para angariar os apoios possíveis e lança o apelo para que todos possam adoptar a igreja com o fim de a recuperar e valorizar. “A angústia e tristeza é perceber que este património corresponde às carências e dificuldades que a população também vive actualmente. É preciso que nos unamos, porque fazendo bem a esta igreja é alma de um povo que é recuperada para que as pessoas se empenhem e vivam com mais esperança e confiança”, refere António Vicente.

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