Sociedade | 17-01-2013

O amola tesouras sem tempo num tempo de Troika

Dez euros foi quanto custou o trabalho de amolar a tesoura do Joaquim Emídio, diretor geral de O MIRANTE que na manhã de quinta-feira, 17 de Janeiro, encontrou o senhor José Carlos a subir a ladeira de Santarém a caminho do planalto para fazer o seu dia de trabalho.Com uma pequena roda de esmeril num torno que parece ter mais de um século, em cima de uma simples caixa montada na traseira de uma bicicleta moderna, o amolador de Santarém, que diz ter nascido em Faro e percorrer todo o país para ganhar o pão para comer, não foi de muitas conversas nem quis mostrar mais do que aquilo que tinha para mostrar. Tesoura afiada em cinco minutos e aí vai ele falando o resto das palavras por cima do ombro, dando as costas aos três jornalistas de O MIRANTE que o vieram ver a afiar a tesoura.Dizem que os amola tesouras trazem chuva. Mas isso é do tempo em que as galinhas tinham dentes. Agora já nem se fala da chuva e muito menos os amoladores têm tempo para tocar a gaita-de-beiços. A Troika está aí para nos mudar os hábitos e fazer esquecer tradições. O senhor José Carlos deixou à porta de O MIRANTE o rasto de um amola tesouras de outros tempos apenas na forma como usou o esmeril, o alicate e um martelo sem orelhas. O resto da história fica por conta da tesoura que foi ferramenta de trabalho do seu dono quando era empregado de escritório há mais de 30 anos.

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