Sociedade | 31-01-2013 11:15

Há casos de miséria avassaladora nos bairros de Povos e Bom Retiro

Nos bairros do Bom Retiro e Povos em Vila Franca de Xira há quem viva o pesadelo de não ter dinheiro para comer ao lado do sonho de alguns que vivem em vivendas com jardim e piscina. Há pessoas que têm menos de 130 euros por mês para comer e alimentar os filhos. Estas situações são bem conhecidas de Jorge Pereira, presidente do Cajixira, associação que combate a pobreza e a exclusão social no bairro, ao ponto de dizer que há "casos de miséria avassaladora". O MIRANTE visitou três famílias do bairro onde os sacrifícios se vivem dia-a-dia e onde a sobrevivência é contada ao cêntimo todos os meses. Paula Rosário Figueiras, natural da Castanheira do Ribatejo, 37 anos, vive com os três filhos, está grávida de uma quarta criança e é desempregada. Não tem direito ao subsídio de desemprego, e o dinheiro que entra em casa é o do abono dos filhos, no total de 126. A ajuda alimentar, constituída entre outros alimentos por massas, azeite e leite é dada pela Cajixira (ver caixa). "Os miúdos estão na escola durante o dia e almoçam por lá. Não consigo fazer todos os dias carne mas quando posso faço uma sopa para o jantar", desabafa. Os vizinhos, a mãe e as irmãs são o que ainda lhe vai valendo para conseguir alimentar tantas bocas. Trabalhou numa fábrica de confecções que faliu e depois esteve numa churrasqueira antes de cair no desemprego. "Depois de ter a criança vou voltar a procurar trabalho", nota. Na zona mais pobre do Bom Retiro não há carros topo de gama à porta das habitações sociais. Quem passa nas ruas não imagina os dramas que se vivem entre quatro paredes, como é o caso de Aquelino Reis, 48 anos, desempregado, que vive numa cama improvisada no chão da sala da casa de uma sobrinha. Aquelino era operário de construção civil mas está sem trabalho há vários meses desde que a crise afectou o sector. A mulher deixou-o e os filhos foram entregues a uma instituição porque já não tinha capacidade para cuidar deles. * Reportagem completa na edição semanal de O MIRANTE.

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