Sociedade | 06-12-2013 17:18

Futebolistas do Fátima pedem ajuda depois de direcção sugerir que procurem clube

Os jogadores do Fátima revelaram esta sexta-feira, 6 de Dezembro, após reunião no Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), que a direcção lhes sugeriu que procurassem clube, face à situação de salários em atraso, e pediram ajuda para resolver o problema.“Esta semana comunicaram que o futebol sénior poderá estar em causa. [Disseram aos jogadores] Para irem à sua vida e procurarem clube em Janeiro e que os que fiquem que reduzam os salários”, começou por dizer o capitão Jorge Neves.A situação financeira do clube leva a que muitos dos jogadores do CD Fátima, quarto classificado no grupo F do Campeonato Nacional de seniores, não tenham ainda recebido qualquer salário desde o início da temporada, enquanto outros receberam apenas um.“É triste vir aqui a esta reunião, queremos jogar, não queremos parar e deveríamos ser pagos para isso. Infelizmente esta época, começámos a treinar 15 de Junho, chegámos a Dezembro e não há condições”, frisou o futebolista.Jorge Neves disse não ser intenção faltar aos jogos, garantindo que no próximo fim-de-semana, na visita à União de Leiria, a equipa irá jogar, mas que na jornada seguinte desconhece se haverá número de jogadores, face à hipótese de rescisões.O médio, de 26 anos, pediu ainda mais apoio da Federação Portuguesa de Futebol, que já entrou com uma verba para o fundo de garantia salarial, bem como das entidades locais e da Câmara Municipal de Ourém.“O grupo está todo unido, o Fátima tem sorte em ter um grupo como este. Queremos conseguir dinheiro para alguns jogadores conseguirem comer. Estamos aqui e esperemos que melhore”, acrescentou.Do lado do SJPF, Joaquim Evangelista lembrou que se trata de uma “situação que não é nova no futebol português” e que “o afectado é sempre o mesmo protagonista, o jogador de futebol”.O dirigente lembrou que o sindicato já teve a oportunidade de accionar o fundo de garantia salarial, com a ajuda da FPF, e deixou críticas a Sérgio Frias, o presidente do Fátima, que acusou de ser responsável pela situação que se vive.“No Fátima foi constituída uma SAD, com um investidor brasileiro, com 90 por cento do capital e dez no clube. Investidor esse que não trouxe o capital proposto, abandonou e parece que a culpa morre solteira”, referiu Evangelista.O presidente do SJPF lembrou que as épocas são preparadas com a devida antecedência, que há compromissos assumidos e que não é admissível que não sejam honrados.“É este apelo que os jogadores fazem junto da FPF. Esta posição tem que ter consequências no futebol português e alertar os demais clubes que têm situações idênticas”, frisou o presidente do Sindicato, admitindo agir judicialmente.Joaquim Evangelista lembrou que Sérgio Frias dizia em Agosto que o passivo era de 200.000 euros e que actualmente estará nos 400.000.“Não aceito que este dirigente lave as mãos e não assuma a sua responsabilidade, não é suficiente dizer que vai acabar com o futebol profissional ou com os contratos profissionais, tem que responder pelos actos pelos quais foi o responsável. Naquilo que depender tudo vamos fazer para o responsabilizar, aliás vamos equacionar avançar com acções criminais. Há aqui uma aparentemente uma burla”, acusou o presidente do SJPF.

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