Sociedade | 28-11-2015 14:36

"É ultrajante que os tribunais tirem menores aos pais só porque são pobres"

"É ultrajante que os tribunais tirem menores aos pais só porque são pobres"

Olga Fonseca é directora do Centro de Emergência Social do CEBI de Alverca.

Depois de vários anos em queda, o número de crianças retiradas aos pais e institucionalizadas tem vindo a aumentar e está hoje a viver-se um "pico muito preocupante" e não há respostas sociais em quantidade para a procura.O alerta é de Olga Fonseca, 51 anos, psicóloga e directora do Centro de Emergência Social (CES) da Fundação CEBI de Alverca. A técnica diz mesmo que é "escandaloso, ultrajante e atentatório" contra todos os direitos das crianças que os tribunais ainda tirem menores aos pais só porque eles são pobres. "A infância devia estar no topo da agenda dos políticos. Algumas situações que se estão a passar são inadmissíveis. É necessária uma clara mudança das políticas sociais. Apoiar as pessoas, conhecer a realidade e reactivar alguns apoios que as pessoas deixaram de ter", defende.O Centro de Emergência Social da Fundação CEBI de Alverca é uma unidade que acolhe crianças retiradas aos pais pela justiça ou pelas comissões de protecção de crianças e jovens como medida preventiva, por terem sido, algumas, ameaçadas de morte, torturadas, agredidas, mantidas dias à fome e até violentadas sexualmente. O CES do CEBI é um pequeno "oásis de esperança" para estas crianças."Nos últimos anos a situação piorou muito e hoje em dia estamos com a nossa capacidade completamente esgotada. Estamos num pico muito preocupante e sem que haja ao nível da região e do país respostas em quantidade para as crianças com mais de 12 anos", alerta a O MIRANTE. No último ano 8470 crianças foram acolhidas temporariamente nestes centros em todo o país. Mais de 130 só no CES da Fundação CEBI, que tem mais de 30 crianças temporariamente na sua residência.* NOTÍCIA DESENVOLVIDA NA EDIÇÃO SEMANAL

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