Sociedade | 23-02-2016 22:05

Professores das AEC param por não receberem desde Setembro de 2015

Professores que leccionam actividades de enriquecimento curricular
SANTARÉM

Alguns docentes vivem com grandes dificuldades financeiras devido à situação.

Cerca de meia centena de professores que leccionam actividades de enriquecimento curricular (AEC) em três agrupamentos de escolas do concelho de Santarém estão sem dar aulas há mais de três semanas. Em causa está o não pagamento dos seus vencimentos pelas aulas leccionadas desde o início do ano lectivo, em Setembro de 2015. As escolas afectadas no concelho de Santarém pertencem aos agrupamentos D. Afonso Henriques, Sá da Bandeira e Alexandre Herculano. Nalguns casos as auxiliares ficam com os alunos, noutros as escolas pedem aos pais para irem buscar os alunos no final do período normal de aulas.

A situação deve-se ao facto de o contrato assinado entre a Associação de Solidariedade Social "Know How - Aprender a Brincar" (que contrata os professores das AEC) e o Ministério da Educação necessitar de visto do Tribunal de Contas (TC), pois é superior a 350 mil euros. E como o contrato ainda não foi visado pelo Tribunal de Contas o dinheiro não pode ser libertado pelo Ministério da Educação para pagamento a quem presta esse serviço.

Mara Franco dá AEC em várias escolas do concelho de Santarém e está parada há cerca de um mês. A professora explica a O MIRANTE que não pode ir dar aulas porque tem contas para pagar e sem receber a situação complica-se. "Não posso ir dar aulas porque o carro não tem o seguro pago e não posso circular com a viatura. Nesta altura, temos que estabelecer prioridades lá em casa e já não tenho condições financeiras para sair e dar aulas porque não me pagam", explica.

Andreia Ferreira está na mesma situação, sem dar aulas há mais de três semanas. Apesar de esta não ser a sua actividade profissional, a falta do dinheiro das AEC faz mossa na orçamento familiar. "Tenho dois filhos e tenho dificuldade em pagar as despesas, nomeadamente o infantário e o combustível para as deslocações diárias", refere.

Pedro Machado e Helena Machado são casados e o que lhes vale é o facto das AEC não serem a sua principal actividade. No entanto, o dinheiro faz-lhes falta para equilibrar o orçamento familiar. "Para dar as AEC tenho que pagar um Ateliê de Tempos Livres à minha filha, porque não posso estar com ela. Temos também que pagar as deslocações com combustível para dois carros. Nós não suspendemos as aulas mas não fazemos a planificação prevista das aulas. Supervisionamos os alunos e mais nada", explica Helena Machado.

Contactado por O MIRANTE, o administrador da Know How, Mário Nobre, explica que desde o início deste ano lectivo não receberam "um cêntimo" por parte do Ministério da Educação. No entanto, foi-lhe dito que o procedimento administrativo estará tratado e ultrapassado e que na próxima semana "será expectável" receberem as verbas correspondentes à primeira tranche, que corresponde aos meses entre Setembro e Dezembro, num valor de cerca de 290 mil euros. "Dentro de duas semanas vencer-se-á a verba relativa à segunda tranche, verba correspondente aos meses entre Janeiro e Março, que corresponde a cerca de 225 mil euros", explicou Mário Nobre.

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