Sociedade | 26-03-2016 13:36

Coberturas de fibrocimento na Secundária do Cartaxo continuam a preocupar

Coberturas de fibrocimento na Secundária do Cartaxo continuam a preocupar

Avaliação feita em 2007 recomendava a remoção desse material que contém amianto, um produto considerado cancerígeno. Um conselho só parcialmente seguido. Na região são várias as escolas e outros edifícios públicos com coberturas de fibrocimento.

Um relatório técnico de 2007 aconselhou a remoção das coberturas de fibrocimento (contendo amianto) da Escola Secundária do Cartaxo, mas até à data o problema só foi parcialmente resolvido, com a substituição, no final de 2014, dos telheiros que faziam a ligação entre edifícios. Por remover estão ainda as coberturas do ginásio e da cozinha, com a agravante desta última ficar ao nível do 1º andar onde existem salas de aula, "o que provoca um aumento significativo no grau de risco de exposição às fibras em suspensão no ar", segundo se lê nas recomendações do diagnóstico feito pela empresa Amiacon - Consultores em Amianto em parceria com o SGIES - laboratório de controlo de fibras de amianto.O director do Agrupamento de Escolas Marcelino Mesquita, Jorge Tavares, diz que tem feito pressão junto do Ministério da Educação no sentido da remoção das restantes coberturas de fibrocimento, já que a escola não tem meios para assegurar essa intervenção. O responsável afirma que falou recentemente com o director regional de Educação e, pelo que lhe foi transmitido, o Ministério da Educação está a perspectivar uma intervenção global nas escolas que têm esse tipo de material.As inspecções feitas em 2007 pela Amiacon e também pelo Instituto Ricardo Jorge surgiram após ter sido apontada a relação de sete casos de cancro entre funcionários e professores da Escola Secundária do Cartaxo com a existência de coberturas de fibrocimento nas instalações. Na altura, a delegada de saúde do concelho, Estela Fabião, afirmou que não havia qualquer relação directa, porque os cancros detectados não eram nos pulmões, órgãos afectados pela inalação de partículas desse produto. As avaliações da contaminação do ar por fibras de amianto na Escola Secundária do Cartaxo revelaram que os níveis de amianto em suspensão no ar encontravam-se abaixo dos limites considerados perigosos. Mas a Amiacon alertava também que, "de uma forma geral, os materiais contendo amianto encontram-se em mau estado de conservação, podendo-se assim considerar que apresentam risco médio".Os riscos de exposição ao amianto têm sido objecto de notícia ao longo dos anos, sendo o caso mais recente o que envolve os serviços da Segurança Social de Vila Franca de Xira. Na edição de 2 de Outubro de 2008, numa altura em que o assunto também estava na agenda mediática, O MIRANTE reproduziu declarações do presidente da Sociedade de Informação do Amianto, que referia que o amianto existente nas coberturas de edifícios públicos da região não representava riscos para a saúde nem estava associado ao aparecimento de doenças cancerígenas. Philip Abecassis considerava mesmo que o alarmismo à volta do tema devia-se à falta de informação ou ao aproveitamento político.Segundo os especialistas, as telhas de fibrocimento existentes em muitas escolas e outros edifícios públicos só libertam substâncias perigosas para a saúde se forem sujeitas a abrasão, se forem raspadas ou se forem partidas em acções de demolição.

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