Sociedade | 13-04-2016 17:58

Trabalhadores da OGMA querem aumentos de salário em ano de lucros recorde

Trabalhadores da OGMA querem aumentos de salário em ano de lucros recorde
Mais de uma centena de trabalhadores da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal marcharam pelas ruas de Alverca esta quarta-feira, 13 de Abril, reclamando aumentos salariais e denunciando o que consideram ser pressões e discriminações laborais dentro da empresa.Isto num ano em que a OGMA fechou as contas de 2015 com um volume de negócios de 188 milhões de euros, dos quais 11,7 milhões foram de lucro total. Foi o melhor ano de sempre na empresa de Alverca desde a privatização. A maioria do capital é da brasileira Embraer e o Estado português tem os restantes 35 por cento. Foram distribuídos aos accionistas 1,1 milhões de euros. O Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa (STEFFA) organizou um protesto para reclamar por um aumento de salários que diz não acontecer há quatro anos mas a OGMA garante que vão ser entregues aos quase 1600 trabalhadores, este ano, um conjunto de dividendos a rondar os 1,8 milhões de euros como contrapartida pelos resultados obtidos.“Já sabemos que há lucros avultados este ano só não sabemos porque não há aumentos há quatro anos”, lamenta Alexandre Plácido, dirigente do STEFFA, que acusa a gestão brasileira de ser “capitalista do tipo mais agressivo que existe”, notando que desde a privatização daquela empresa “têm sido exigidos cada vez mais sacrifícios” e os salários “ficam na mesma”. O dirigente fala num programa de rescisões por mútuo acordo que são “despedimentos encapotados”.“As pessoas são apresentadas com uma proposta de indemnização para se irem embora e quem não aceitar muitas vezes é colocado em casa e pressionado de todas as maneiras até aderir a essa rescisão. A nível laboral temos tido uma pressão muito grande, devido à implementação de métodos importados da indústria automóvel. Temos trabalhadores a serem ameaçados de despedimento se fizerem mal ou fora do prazo as tarefas. Em algumas secções temos mesmo assédio, em que as chefias amedrontam as pessoas no sentido de não exercerem os seus direitos”, alerta Alexandre Plácido, dirigente daquele sindicato a O MIRANTE.Num comunicado enviado às redacções na sequência do protesto, a OGMA frisa que os bons resultados resultam do “desempenho das equipas, da motivação dos colaboradores e da organização interna” que tem sido aplicada para melhorar a eficiência operacional. A empresa não comenta as acusações do sindicato mas garante que ainda este mês vai começar a pagar aos trabalhadores os dividendos relativos aos resultados do último ano. “13,5 milhões de euros já foram distribuídos aos trabalhadores desde 2006”, pelo “reconhecimento do contributo” dos trabalhadores para os bons resultados.* Notícia desenvolvida na edição semanal de O MIRANTE.

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