Sociedade | 27-01-2017 00:02

Guardas de Vale de Judeus descontentes com chefias

Um terço dos guardas da cadeia apresentou atestados médicos durante a época de Natal e Ano Novo.

Um terço dos guardas da cadeia apresentou atestados médicos durante a época de Natal e Ano Novo. Acusam a chefia de "desconhecer a realidade da prisão" e de "nunca sair do gabinete". A Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais reconhece o número "elevado" de baixas médicas, mas garante que a "segurança das pessoas e das instalações" não está em causa.

O ataque pelas costas a um guarda prisional por parte de um recluso na quinta-feira (19 de Janeiro), durante uma revista à cela, pode não ter sido apenas um episódio pontual no quotidiano do Estabelecimento Prisional (E.P.) de Vale de Judeus, em Alcoentre. Um mês antes já outro recluso tentara a fuga, em plena corrida na pista exterior, "sem que tivesse recebido a sanção adequada", contou a O MIRANTE Jorge Alves, presidente da direcção do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). O sindicalista garante existir "um grande descontentamento dos guardas prisionais com um reflexo directo no comportamento dos reclusos".

Na época de Natal e Ano Novo, 57 dos 155 guardas ao serviço da prisão apresentaram atestados médicos, uma informação confirmada pela Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP). No entanto, a DGRSP refuta que esse "elevado número de baixas" esteja relacionado com o mau ambiente entre chefia e subordinados. "Dado que esta Direcção Geral não tem competências para avaliação clínica, é levada a crer que terão sido razões de saúde que determinaram que médicos passassem os respectivos atestados".

Para o sindicato, não há dúvidas que esse é apenas mais um sinal do descontentamento do corpo prisional. "Com essa redução de guardas há serviços que não ficam assegurados e também cresce a tensão entre os reclusos", sublinhou, adiantando que também existem guardas que estão a abdicar de postos de chefia por não concordarem com as directrizes do chefe (ver caixa). Mas a DGRSP assegura que "a segurança das pessoas e das instalações não é posta em causa em função da relação interpessoal existente entre elementos do corpo da guarda prisional e a sua chefia".

De acordo com fonte de O MIRANTE e segundo o presidente da direcção do SNCGP é na figura do chefe dos guardas que se concentram todas as queixas. "Dizem que o chefe nunca sai do gabinete e que desconhece a realidade da prisão", diz Jorge Alves.

* Notícia completa na edição semanal de O MIRANTE.

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