Sociedade | 07-05-2017 19:30

Rivalidades extremas são más para o associativismo

Rivalidades extremas são más para o associativismo

Entrevista a João Gaudêncio foi o galardoado deste ano com o Prémio Carlos Gaspar, atribuído pela Junta de Freguesia de Samora Correia.

João Gaudêncio Falua Gomes nasceu a 3 de Outubro de 1940 em Samora Correia e ali tem vivido até hoje, sempre comprometido com a comunidade e com o movimento associativo local.

Começou a trabalhar como aprendiz de carpinteiro aos 11 anos, o que o levou a ter de deixar a escola, mas tirou mais tarde um curso de contabilidade. Teve a sua empresa da área durante mais de 30 anos e já se encontra reformado. Ligou-se ao associativismo não com o objectivo de fazer dinheiro ou de saltar para a política, mas por querer servir a terra e as suas gentes.

Hoje dirige a Casa do Povo de Samora Correia, é um dos responsáveis da Sociedade Filarmónica União Samorense (SFUS), pertence ao Conselho Fiscal da Fundação Padre Tobias e da Associação Recreativa e Cultural dos Amigos de Samora e está envolvido em muitos outros grupos da terra. A Junta de Freguesia de Samora Correia distinguiu-o com o Prémio Carlos Gaspar, atribuído anualmente a personalidades ou instituições que se tenham destacado pelos serviços prestados à comunidade.

As autarquias apoiam financeiramente o suficiente ou podiam fazer mais?

O dinheiro nunca chega mas a Câmara de Benavente e a Junta de Samora dão-nos apoio financeiro e logístico. Temos um rancho folclórico que se desloca de norte a sul do país no autocarro da câmara por um preço razoável, e a banda e a orquestra também. E a junta também ajuda, mais às vezes com a logística do que monetariamente. Os instrumentos são caros, é preciso pagar-se aos professores, por isso o dinheiro nunca chega, mas não posso dizer que temos razão de queixa com a câmara e a junta.

As associações funcionam também como uma forma de manter as pessoas unidas?

Sim mas em Samora há alguma desunião. Não quer dizer que nos outros lados não haja mas há alguma desunião cá entre as colectividades. Às vezes há um bocado de bairrismo doentio e isso é muito mau para as associações e não ajuda nada nem ninguém. As pessoas devem estar unidas, devem combinar as festas, devemos ir às festas dos outros e os outros virem às nossas. É uma coisa que não compreendo, há vezes em que ouço “ah se aquele rancho for, não vou” ou “se aquela banda for, não vou” e não percebo isso.


Mesmo entre os mais novos há essa rivalidade?

Há menos e nós queremos que acabe. Queremos que os mais novos se unam para que haja mais entreajuda nas várias associações e para que se possa combinar eventos. Se as coisas não forem assim, é Samora Correia que perde.


E há rivalidade entre colectividades de diferentes áreas?

Há porque a rivalidade não é entre as colectividades propriamente ditas, porque são abstractas, mas entre as pessoas. As pessoas é que têm de se mentalizar de que devem fazer o melhor que podem e sabem pela colectividade que estão a dirigir mas deixar os conflitos pessoais para trás das costas. Nós estamos aqui para defender o emblema e as questões pessoais não podem ter lugar aqui. Mas às vezes é um pouco como um combate de boxe: é preciso encaixar, mais do que dar. Engolir sapos, não vou nessa conversa: é preciso encaixar, perceber o que a pessoa quer e chegar a consenso, a falar com a pessoa.


Como se sente por receber o Prémio Carlos Gaspar?

Sinto-me muito honrado porque é um prémio com o nome de um homem com quem convivi e com quem aprendi, um grande samorense. É uma distinção ao meu trabalho ao longo dos anos, é a distinção de uma vida.

* Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE.

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