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Sociedade | 19-06-2017 16:14

Siluro com 30 quilos apanhado no Tejo em Muge

Siluro com 30 quilos apanhado no Tejo em Muge

Pescador desportivo nunca tinha visto um peixe tão grande

Dinis Rato apanhou um siluro com um metro e meio e 30 quilos de peso quando estava à pesca no Tejo em Muge, concelho de Salvaterra de Magos. O habitante de Foros de Salvaterra costuma pescar e faz mesmo pesca desportiva de mar mas nunca tinha apanhado um peixe de tamanha dimensão. Este exemplar de uma espécie invasora foi capturado no domingo à cana, numa luta que durou uma hora, e Dinis teve a ajuda de Fábio Veiga, um amigo que o ajudou também a carregar o bicho que não cabia no porta-bagagens do carro.

O pescador conta que teve de rebater os bancos do carro para conseguir levar o siluro para casa e acabou por, tanto ele como o amigo, ficarem em cuecas porque usaram a roupa que vestiam para colocarem o peixe em cima e não sujarem o carro. Dinis tem o peixe na arca congeladora mas ainda não sabe o que vai fazer com ele, apesar de já lho terem querido comprar. “Dizem que é bom para fazer filetes mas não sei. O peixe até mete medo”, refere em declarações a O MIRANTE.

Recorde-se que este ano já foi apanhado outro siluro de grandes dimensões nas Caneiras. O peixe com mais de 58 quilos e 1,90 metros foi capturado na tarde de 16 de Março, pelas mãos de Manuel José Pelarigo, um experiente pescador da aldeia do concelho de Santarém.

Em Dezembro O MIRANTE falou com o investigador Filipe Ribeiro, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), especialista em biologia de peixes de rio, que está a fazer um estudo no Tejo sobre a incidência de espécies exóticas no rio. O investigador contou na altura que na região se passou em poucos anos de três para 80 registos de siluros capturados no Tejo por pescadores, sobretudo nas zonas de Chamusca e Almeirim. Se a situação não for controlada, avisa, “corre-se o risco de as espécies nativas entrarem em extinção”.

As espécies invasoras, como o siluro, são mais resistentes à poluição e além de, desta forma, prevalecerem ainda como predadoras comem as espécies nativas do rio. Como é o caso do sável, da boga ou dos barbos. Os siluros, peixes originários dos grandes rios da Europa Central, que podem facilmente ultrapassar os dois metros e 40 quilos, ajudados pela poluição, estão a tornar-se os reis do Tejo e a destruir o seu ecossistema, que pode estar em risco a médio ou mesmo curto prazo.

Desconhece-se como é que o siluro foi introduzido no Tejo e também ainda não há grande conhecimento dos impactos que esta espécie provoca na região. O investigador reconhece que as entidades fiscalizadoras não têm capacidade e que os pescadores devem ser uma espécie de “fiscais” que evitem a degradação do ecossistema ribeirinho. A primeira regra é que os pescadores que capturem espécies invasoras não as devem devolver ao rio.

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