Sociedade | 11-08-2017 16:27

Não é fácil convencer pessoas a deixarem as suas casas

Não é fácil convencer pessoas a deixarem as suas casas
ABRANTES

Moradores das aldeias afectadas pelo incêndio de Abrantes contestaram a actuação das autoridades, inquietos por não os deixaram ir ver como estavam as suas propriedades.

João Caseiro, da aldeia de Carreira do Mato, estava indignado na tarde de quinta-feira, 10 de Agosto, pelo facto de não o deixarem passar para ir ver como estava a sua casa e os seus pertences. Situação que se repetia com outros moradores que reclamavam mais apoio para se poderem deslocar às suas casas e aferir se o fogo que lavrou por esses dias no concelho de Abrantes tinha feito estragos

Dezassete aldeias do concelho de Abrantes foram afectadas pelo fogo que deflagrou no dia 9 de Agosto e que consumiu muitos hectares de floresta e mato mas também uma primeira habitação em Aldeia do Mato e vários barracões de apoio à actividade agrícola. Foram evacuadas parcialmente seis aldeias, tendo cerca de 50 pessoas sido encaminhadas para o quartel do Regimento de Apoio Militar de Emergência, em Abrantes.

O presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, Rui André, reconheceu a O MIRANTE que não é fácil convencer as pessoas a deixarem as suas casas e os seus bens, sem data certa para voltar e sem saberem como encontrarão as suas casas depois da passagem do fogo.

João Antunes Rosa, 82 anos, vive na Aldeia do Mato e o fogo trocou-lhe as voltas. Quando saiu de casa pela manhã tudo estava bem. Depois de ter tratado de alguns assuntos em Abrantes, pretendia regressar a casa mas o fogo estava activo e as autoridades já não o deixaram prosseguir, para garantir a sua segurança, visto que o fogo lavrava com intensidade, precisamente na sua aldeia.

O morador garantiu a O MIRANTE que iria dormir a casa, porque conhecia caminhos alternativos que lhe permitiriam chegar a casa sem perigo e escapando ao controlo das autoridades. Valeu a intervenção concertadora dos agentes da autoridade que demoveram João Rosa de ir para casa, aconselhando-o a seguir para um local seguro indicado pelas autoridades.

Depois da mediação da presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, os moradores foram acompanhados pelos bombeiros para fazerem o reconhecimento dos danos provocados pelo fogo e verificarem da integridade das suas habitações.

O presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos disse que tinha todo o seu executivo empenhado na ajuda aos munícipes e aos bombeiros, quer para indicar caminhos, ou locais de abastecimento de auto-tanques, quer no encaminhamento das pessoas para locais onde o fogo não representasse perigo.

Depois da tragédia, garantiu Rui André, importa agora concertar meios para ajudar as pessoas afectadas pelo fogo e garantir o regresso das que foram evacuadas das suas aldeias, em segurança.

A presidente da Câmara de Abrantes aponta no mesmo sentido e sublinhou que depois da passagem devastadora do fogo pelo concelho de Abrantes é preciso contabilizar prejuízos e encontrar as melhores soluções para as pessoas e bens perdidos.

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