Sociedade | 25-08-2017 09:15

A impotência e outros sentimentos dos autarcas perante os incêndios

A impotência e outros sentimentos dos autarcas perante os incêndios

Autarcas dos concelhos afectados pelos incêndios falam dos dias de aflição, das fraquezas e de como lidam com as situações

O telefonema acaba com o presidente da Câmara do Sardoal, Miguel Borges, a chorar. O autarca recordava a O MIRANTE os momentos de “horror” vividos nos últimos dias, e nas últimas noites, em que os incêndios não deram tréguas, nem a bombeiros, nem às populações dos concelhos de Sardoal, Mação, Abrantes e Tomar, que tudo fizeram na defesa das suas localidades. A vida dos autarcas nestes dias de incêndios são uma roda viva, extenuantes, um mar de aflições em que não há tempo para pensar na campanha eleitoral, nem sequer, muitas vezes, na própria família. Já para não falar no sono adiado a toque de cafés ou adrenalina. Como é que os autarcas da região vivem os dias e noites de aflição provocada pelos fogos?
O sentimento é de impotência perante uma força devastadora. “São vários dias e várias noites que tentamos combater este inimigo que não tem rosto”, conta Miguel Borges com um nó na garganta. O descanso dos autarcas é feito nos pequenos intervalos em que as coisas acalmam. “Uma hora por noite mas assim que estamos a começar a descansar há logo um telefonema e normalmente nunca é com boas novidades, é sempre mais destruição”, relata Miguel Borges. Se o autarca do Sardoal ainda conseguia passar pelas brasas por pouco tempo que fosse, a sua colega de Abrantes não. Durante os incêndios no concelho, Maria do Céu Albuquerque não dormiu “cinco dias e cinco noites”. O que se notava pelo estado de exaustão e pela voz cansada.

Dez minutos para almoçar no aniversário do filho
Se há muitos momentos maus qual é o pior, aquele em que o sentimento de impotência ataca as forças que restam? Para a presidente de Abrantes o pior momento que viveu não foi um mas “foram todos, ao longo destes dias”. E a maior sensação de impotência foi “olhar para a cara de desespero dos bombeiros, ver as pessoas a sofrer e não conseguir fazer nada. Foi aflitivo. Felizmente não tivemos vítimas mortais”, conta Maria do Céu Albuquerque. O autarca de Mação viveu o pior dia dos incêndios e provavelmente da sua vida na quarta feira, 16 de Agosto, no mesmo dia em que o filho fez anos. A aflição só foi aliviada, dentro do possível, numa curtíssima paragem para comer apressadamente com o filho mais velho, que completava 14 anos. “Ainda conseguimos fazer um almoço de aniversário que durou 10 minutos”, lembra Vasco Estrela.

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