Sociedade | 29-08-2017 10:22

Presidente do Sardoal diz que Protecção Civil é um sistema “assente em pés de barro”

Presidente do Sardoal diz que Protecção Civil é um sistema “assente em pés de barro”

O presidente da Câmara de Sardoal apresentou propostas para “mudar o sistema”.

Num texto que diz ser uma reflexão sobre a problemática dos incêndios florestais, Miguel Borges, também membro da mesa da Secção de Municípios com Bombeiros da Administração Local da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, defendeu a implementação de "seis pontos que pretendem ajudar a mudar um sistema que (…) está assente em ‘pés de barro’".

"Como observador atento em diferentes teatros de operações", começou por lembrar o dia 23 de Agosto de 2016, quando teve "a infeliz oportunidade de verificar a falência de um sistema de comunicação utilizado pela Protecção Civil”, no decorrer do combate a um incêndio florestal que devastou uma considerável área de floresta dos concelhos de Sardoal e Abrantes, no distrito de Santarém.

"Verifiquei o desespero dos presentes ao tentarem, sem sucesso, contactar com os operacionais que estavam no teatro de operações. Assim se apresentou o SIRESP - Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal, um sistema que custou mais de 400 milhões de euros. A normalidade de funcionamento do sistema só foi reposta passadas quase 18 horas", lembrou.

O autarca refere que recebeu em Abril de 2017 um relatório da responsabilidade da Secretaria Geral da Administração Interna onde se lia que "deste evento retiraram-se os devidos ensinamentos e que numa próxima situação idêntica a resposta dos meios operacionais das comunicações SIRESP será mais rápida e eficaz".

"O senhor primeiro-ministro ‘apagou’ o referido relatório referente às falhas do sistema SIRESP no dia 23 de Agosto de 2016. Para ele, o ‘mundo’ começou a 17 de Junho de 2017 em Pedrógão Grande. Tirem-se as ilações, assumam-se as responsabilidades", frisou.

O autarca classificou ainda de “pura falácia” os apelos à população “para ofertarem bens”.

Afirmando que a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) paga sete euros por almoço, sete euros por jantar e 1,8 euros por pequeno-almoço, lanche e reforços para todos os operacionais envolvidos, perguntou “então para que servem os ‘peditórios’?”

O eleito defendeu, ainda, a profissionalização no âmbito da Administração Local", criticando o actual modelo de organização das corporações de bombeiros, “demasiado assente no voluntariado e no voluntarismo dos seus dirigentes".

Miguel Borges frisou também a "necessidade de formação" dos autarcas porque, "no teatro de operações, o responsável máximo da Protecção Civil em cada um dos concelhos (o presidente de Câmara) é o único que não tem formação específica".

O presidente concluiu afirmando que o Sardoal tem uma candidatura aprovada no âmbito da "Prevenção Contra Agentes Bióticos e Abióticos (Prevenção da Floresta Contra Incêndios) no valor 573 mil euros desde 2014, mas não existe dotação financeira para a sua execução.

"Lamentavelmente, é muito mais fácil o financiamento para a Reposição do Potencial Produtivo ou Estabilização de Emergência, após destruição por incêndio, do que para a prevenção. Não queremos nenhum projecto piloto de reflorestação, queremos, sim, manter a nossa floresta, manter o nosso concelho verde", concluiu.

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