Sociedade | 11-09-2017 16:59

Antigos combatentes lutam agora por mais apoio na saúde

Antigos combatentes lutam agora por mais apoio na saúde

Vila Franca de Xira foi considerada um exemplo na preservação da memória.

Ainda há um “caminho profundo” por percorrer no país no que diz respeito à solidariedade para com os antigos combatentes. A ideia foi defendida por Joaquim Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes, que na manhã de sábado, 9 de Setembro, foi um dos convidados do 88º aniversário do núcleo de Vila Franca de Xira. “Ainda nos batemos pela dignidade, saúde e apoio social dos que lutaram pela pátria. Fecharam-nos todas as portas. Estes homens envelhecem e adoecem sem que lhes seja reconhecido o devido valor. Batemo-nos para que possam cair com dignidade”, criticou o responsável.

Joaquim Rodrigues salientou o “excelente exemplo” de Vila Franca de Xira na preservação da memória dos combatentes e também da imprensa regional. “Pena é que os órgãos nacionais não lhes sigam o exemplo”, criticou. Várias dezenas de pessoas juntaram-se em redor do monumento de homenagem aos combatentes, no largo 5 de Outubro, onde durante 15 minutos o trânsito foi cortado para que se honrassem os que caíram em combate.

“Independentemente das interpretações políticas, sempre marchámos orgulhosos por Portugal e todos vestimos as mesmas fardas”, vincou o presidente da liga, que lamentou também que só quando começarem a rarear os combatentes do Ultramar é que estes serão classificados como heróis. “A história acabará por ser reescrita”, notou. O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita (PS), também ele um ex-combatente nas campanhas de Angola e Moçambique, confessou o “profundo desejo” de conseguir transladar os corpos dos soldados que ainda se encontram naquele território. “Uma guerra é sempre um conflito injusto. Fomos uma geração que teve de conviver com isto, não tivemos escolha, não temos de ter nenhum problema de consciência nisto, cumprimos o nosso dever mas ao mesmo tempo também houve casos em que ajudámos muita gente. Vale a pena lutar e dizer às gerações futuras que devem ter orgulho dos seus combatentes”, recordou.

* Notícia desenvolvida na edição semanal de O MIRANTE

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