Sociedade | 11-09-2017 19:48

No escutismo aprende-se a contrariar o individualismo

No escutismo aprende-se a contrariar o individualismo

José Feliciano é chefe do Agrupamento 342 de Vialonga

José Feliciano é natural do concelho de Tomar mas está em Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira, desde os seis anos. É chefe do agrupamento de escuteiros 342. Começou a trabalhar jovem e ao longo do seu percurso, desde muito novo, que se ligou ao escutismo católico. Acredita que este é uma mais-valia para os jovens e que os capacita a levar melhores vidas no futuro.

A missão do agrupamento de escuteiros 342 de Vialonga, no concelho de Vila Franca de Xira, é formar bons cidadãos que fiquem preparados para enfrentar os desafios da sociedade. Quem o diz é José Feliciano, 51 anos, chefe deste agrupamento do Corpo Nacional de Escutas (CNE), ligado à igreja católica. “Faz todo o sentido ser escutista actualmente, porque os jovens habituam-se a lidar com os seus pares e com o outro”, refere.


“Hoje em dia ser individualista é muito mau e num emprego não vai longe. Temos de saber relacionar-nos com o próximo. É isso que procuramos, que os jovens venham a ser cidadãos que saibam respeitar os outros”, refere o chefe escuteiro, para quem “o individualismo na nossa sociedade não faz sentido”. José Feliciano confessa que o escutismo fez de si “um homem diferente” e não estranha que actualmente o agrupamento tenha 150 escuteiros e uma longa lista de jovens em espera, que o grupo não consegue acolher por falta de instalações e pessoal dirigente.


“O que se espera quando os jovens saem aos 22 anos, se saírem, é que estejam preparados para a sociedade, preparados para serem bons chefes de família, bons directores, bons naquilo que fazem. Espera-se que sejam autónomos e que saibam relacionar-se com os outros, com amor à natureza e respeito pelo próximo e mais capazes para ultrapassar as dificuldades”, refere.


José Feliciano nasceu no concelho de Tomar mas aos seis anos foi com os pais para Vialonga. “Quando vim para cá a terra era literalmente “a via longa”, basicamente uma estrada comprida com casas de um lado e do outro. Depois nos anos 80 com o crescimento e a construção do bairro da Icesa é que houve um grande aumento populacional que se reflectiu em tudo o resto”, conta o dirigente, que guarda boas memórias da infância.


O seu primeiro emprego foi numa oficina de electrodomésticos onde não recebia ordenado. A partir dos 16 anos foi para uma empresa de impermeabilizações e aos 20 anos entrou na Câmara Municipal de Lisboa, onde ainda trabalha como tesoureiro chefe. O seu emprego de sonho era ser professor de educação física mas a vida obrigou-o a abraçar os trabalhos “que foram possíveis”.


Em 1975 entrou nos escuteiros de Vialonga e tem ali ficado ininterruptamente. “Todos os fins-de-semana temos actividades, quando não há mais é porque os dirigentes estão em alguma formação ou encontro. Mas temos sempre gente em movimento neste grupo. Isso implica muito tempo roubado à família”, confessa. Actualmente os 150 jovens estão divididos em 4 secções, dos 6 aos 10 (lobitos), dos 10 aos 14 (exploradores), dos 14 aos 17 (pioneiros) e dos 17 aos 22 (caminheiros). José Feliciano diz que o concelho de Vila Franca de Xira tem um bom movimento escutista e saúda a boa relação entre todos os grupos. “O maior sonho do nosso agrupamento é ter uma sede maior. Falta-nos espaço e essencialmente dinheiro. Temos um terreno que a câmara nos cedeu mas não temos dinheiro para lá construir. Andamos a procurar alternativas para poder criar condições físicas para depois acolher mais jovens”, conclui.

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