Sociedade | 16-10-2017 10:58

Populações ribeirinhas manifestaram-se em Lisboa contra poluição no Tejo

Populações ribeirinhas manifestaram-se em Lisboa contra poluição no Tejo

Cerca de 300 pessoas manifestaram-se contra a poluição no rio Tejo e exigiram que sejam tomadas "de uma vez por todas e de forma imediata" medidas para conter o problema.

Cerca de 300 pessoas manifestaram-se no sábado, 14 de Outubro, em Lisboa para protestar contra a poluição no rio Tejo e exigir que sejam tomadas "de uma vez por todas e de forma imediata" medidas para conter o problema.

"Manifestamo-nos para exigir que de uma vez por todas e de forma imediata sejam tomadas medidas", disse aos jornalistas o porta-voz do Movimento pelo Tejo -- PROTEJO, Paulo Constantino, durante a manifestação "em defesa do Tejo", que decorreu entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço.

Entre as medidas que devem ser tomadas de imediato estão a realização de mais fiscalizações, a identificação dos poluidores de "forma inequívoca e a revisão das licenças", além da "necessidade de revisão e suspensão das licenças de descargas de fluentes de algumas empresas que são os agentes poluidores do rio Tejo", adiantou Paulo Constantino.

"Não podemos continuar a assistir a milhares de peixes mortos no rio Tejo, queremos que os ecossistemas aquáticos sejam preservados e que as águas do rio Tejo estejam em bom estado ecológico", sustentou.

Paulo Constantino explicou que o protesto decorreu em Lisboa com o objectivo de mostrar aos lisboetas os problemas que existem no rio Tejo, que tem falta de água e está poluído, e exigir ao poder político que tome medidas imediatas para conter esta situação.

"As comunidades ribeirinhas a montante de Lisboa têm problemas e também em Lisboa é necessário que haja mobilização para que eles sejam resolvidos. É no Terreiro do Paço que acaba a manifestação e é aí que está a sede do poder político e queremos exigir a esse poder político que tome medidas imediatas para conter a poluição", afirmou.

Durante o percurso, os manifestantes, sobretudo provenientes das comunidades ribeirinhas, gritaram palavras de ordem, como "Lisboa, Lisboa poluição não, devolvam o Tejo à população", "A impunidade não é solução, devolvam o Tejo à população" e "Menos palavras e mais acção, devolvam o Tejo à população", e exibiram vários cartazes.

"Poluição Não", "Marcelo, vai um mergulho", "Onde está a Agência Portuguesa do Ambiente?", "Por um Tejo vivo não à poluição", "Basta de poluição" e "Salvem o rio Tejo" foram alguns dos cartazes presentes no protesto, que contou também com associações ambientalistas e deputados do BE e do PSD.

"A situação no Tejo tem vindo a piorar de ano para ano. O rio Tejo tem diversos problemas, começando desde a sua entrada em Portugal que chega com caudais baixíssimos, já com cargas poluentes elevadíssimas, descargas poluentes por empresas, peixe ilegal, agricultura intensiva", disse Nuno Sequeira, da direcção associação Quercus.

Nuno Sequeira alertou também que "caso o Governo não tome medidas imediatas, os problemas do rio Tejo podem chegar a Lisboa".

Por sua vez Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero, disse que "é fundamental tomar medidas", sendo "a área mais importante a fiscalização".

Francisco Ferreira sublinhou que há legislação que não está a ser cumprida, que não se consegue ter qualidade balnear no Tejo e não existe um acompanhamento contínuo das "muitas descargas ilegais".

Por isso, além da fiscalização por parte da GNR e dos vigilantes da natureza, é também necessário que o Governo instale urgentemente "um mecanismo de monitorização em tempo real" para saber a situação do rio Tejo.

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