Sociedade | 25-10-2017 19:34

Da vida militar à direcção de um lar de idosos

Da vida militar à direcção de um lar de idosos

Maria Alice Rodrigues, 45 anos, directora técnica do Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Pernes vive para dar esperança e alento aos outros há mais de 15 anos.

Nascida em Cinfães do Douro e criada entre Ermesinde e o Porto, admite que já em jovem, nas férias, ajudava a cuidar dos idosos no Centro Social e Paroquial de Alfena (CSPA), local onde a mãe trabalhava, e apoiava os pais a tratar dos cultivos e dos animais que criavam.


Ainda trabalhou um ano no jornal do CSPA, “A Voz do Alfena”, redigindo os textos no computador e fazendo a parte gráfica mas o desejo de tirar um curso superior era tal que se inscreveu no Exército. “Foi no dia do meu aniversário e do meu irmão que decidi ir para o Exército. O meu irmão estava, na altura, no Regime de Infantaria do Porto e eu fui lá levar-lhe um bolo. Entretanto, o oficial de dia que estava na porta de armas questionou-me por que é que eu não ingressava nas forças armadas pois poderia ganhar o meu dinheiro e aproveitar para estudar lá. Inscrevi-me e chamaram-me para ir à inspecção e, depois, para a recruta”, explica.


Na altura, diz, “as maiores dificuldades que tive foi largar tudo o que tinha, a família, o trabalho, e não saber o que me esperava já que havia poucas mulheres no Exército. Fiz parte do primeiro pelotão que teve mulheres militares na Escola Prática de Serviço de Material no Entroncamento”.


Maria Alice Rodrigues ainda se lembra do dia em que se deslocou para começar a recruta como se fosse hoje: “Nesse dia fui com o meu pai no comboio e ele chorou todo o caminho e dizia que não sabia onde me ia meter. Ele, como esteve na guerra colonial, sabia bem o que era aquilo”. E não foi a única peripécia que recorda desse dia. “Quando cheguei, enquanto esperava que me chamassem encostei-me a uma parede. Foi quando um graduado, com uma voz altiva, me disse: ‘Desencoste-se da parede que a parede não cai’. Logo naquele momento apercebi-me da disciplina, do rigor e da exigência da instituição militar”, adianta.


Esteve seis anos no Exército e foi aí que começou o seu percurso académico. Tirou o curso superior de gestão de recursos humanos no ISLA de Santarém e fez três pós-graduações: primeiro em gerontologia social no Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa; mais tarde, em organização de instituições de economia social no ISLA de Leiria; e, recentemente, em gestão de recursos sociais (GOS) na AESE Business School.

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