Sociedade | 27-10-2017 00:02

Não há praxe que justifique actos de humilhação

Não há praxe que justifique actos de humilhação

Professor e investigador Miguel Castanho foi homenageado pelo Politécnico de Santarém

Miguel Castanho é investigador e há muito que se dedica a procurar respostas através da ciência. Natural de Santarém, continua a viver na cidade onde nasceu apesar de trabalhar em Lisboa. Depois de ter sido vice-presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia regressou ao que mais gosta de fazer: ser professor e investigador. Diz que a saída de algumas instituições da cidade tiraram-lhe importância e identidade. Sobre as praxes diz que os fins nunca justificam os meios

Miguel Castanho dá aulas de Bioquímica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. De vez em quando gosta de mudar de agulha e experimentar fazer outras coisas. “Ficamos mais enriquecidos quando bebemos de outras experiências”, confessou o investigador a O MIRANTE no final de uma homenagem que recebeu por parte do Instituto Politécnico de Santarém, onde também proferiu uma oração de sapiência, intitulada “Apesar de tudo a vida é feita de moléculas”. Um talento académico que se doutorou aos 25 anos e hoje, aos 50, é um dos mais reputados cientistas nacionais na área da bioquímica.

P. O que significa para si esta homenagem na sua terra natal?

R. É um reconhecimento pelo meu trabalho. É uma honra e apraz-me muito que as pessoas se apercebam do meu trabalho e reconheçam o seu valor. Esta homenagem tem um significado especial por ser na minha cidade, porque nasci aqui e mesmo trabalhando em Lisboa vivo cá. Sou um produto de Santarém e tenho um carinho muito especial pela minha terra.

P. Sempre que é convidado, aceita participar nestas iniciativas?

R. Sempre que posso participo porque considero que estas iniciativas são muito importantes uma vez que marcam o ritmo, vivência e identidade das instituições. No princípio da carreira não nos apercebemos tão bem da importância destas iniciativas. Só mais tarde, depois de passarmos por cargos directivos em instituições, é que tomamos consciência de como estas cerimónias são importantes.

P. Um curso superior continua a ser uma boa aposta para os jovens?

R. É bom na medida em que forma os indivíduos pessoalmente e também para a cidadania. Também é uma boa aposta porque é um facto que as pessoas com mais formação académica ocupam lugares melhor remunerados. Não quer dizer que a pessoa, por ter um curso superior, tenha direito a uma benesse para ocupar lugares melhor remunerados. Mas, tendencialmente, as pessoas com mais formação acabam por ocupar lugares melhor remunerados. Pode não acontecer no início da carreira mas acaba por acontecer.

P. Que mensagem deixa aos jovens estudantes que estão agora a ingressar no ensino superior?

R. Não se assustem porque a vida é feita de dificuldades mas as dificuldades estão lá para serem vencidas. Todas as gerações anteriores tiveram angústias, problemas e obstáculos por ultrapassar mas conseguiram vencê-los e a formação superior que fizeram compensou. Se recuar ao meu tempo de universitário o país era radicalmente diferente e a vida era muito mais difícil para um estudante que ingressava no ensino superior. Se um terço dos alunos da minha turma do ensino secundário ingressou no ensino superior foi muito. Nessa época nem todos conseguiam entrar no ensino superior porque não havia vagas. Hoje isso não acontece. Podem não entrar no curso que querem mas conseguem entrar sempre no ensino superior.

Entrevista completa na edição semanal de O MIRANTE AQUI

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