Sociedade | 22-11-2017 17:21

Sumidouro de CO2 em escola marca Dia da Floresta Autóctone em Santarém

Sumidouro de CO2 em escola marca Dia da Floresta Autóctone em Santarém

Projecto procura promover a redução dos gases com efeito de estufa, bem como a protecção e a preservação das espécies autóctones.

Alunos da escola Alexandre Herculano, em Santarém, vão plantar na quinta-feira 130 azinheiras, criando o primeiro “sumidouro de CO2 escolar” no concelho, num evento que assinala o Dia da Floresta Autóctone.

Estas árvores fazem parte das 650 azinheiras (“Quercus rotundifolia”) entregues este mês, no âmbito do projeto “Raízes da Sustentabilidade”, para a constituição de 10 novos sumidouros de dióxido de carbono (CO2), que se juntam aos seis criados em 2016 e ao que foi pioneiro em 2015, envolvendo famílias que possuem terrenos e que se comprometem a plantar, a cuidar e a preservar as árvores nas próximas décadas.

O projecto, dinamizado pela Equipa Multidisciplinar de Acção para a Sustentabilidade (EMAS) da Câmara de Santarém, procura promover a redução dos gases com efeito de estufa, bem como a protecção e a preservação das espécies autóctones.

Com mais de 2.000 árvores distribuídas (sobreiros, pinheiros-mansos e azinheiras), até ao momento foram envolvidas um total de 166 famílias – às que aceitaram o compromisso de constituir sumidouros juntam-se mais de uma centena que quiseram plantar pelo menos uma árvore no quintal.

Margarida da Franca, directora do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, disse à Lusa que o projecto do município encaixou na perfeição na vontade de florestar os 4,2 hectares de terreno da escola, de onde a direcção conseguiu retirar um eucaliptal.

As 130 azinheiras que vão ser plantadas na quinta-feira pelos alunos que frequentam o Clube do Ambiente da escola, por cada uma das turmas do 5.º ao 9.º ano e ainda por meninos dos jardins de- infância e do primeiro ciclo, juntam-se às árvores autóctones e de fruto que foram sendo plantadas ao longo dos anos, algumas das quais receberam os nomes de quem as plantou.

“Vamos plantando o que temos. As pessoas aderem e começam a oferecer, uns trouxeram loureiros e outras árvores autóctones” e de fruto, disse a directora da escola, referindo os medronheiros, os pinheiros, as laranjeiras, as figueiras ou as amoreiras, que exibem ainda as “etiquetas” identificando as turmas que as plantaram, as regam e as protegem, sinalizando a vertente educativa da iniciativa.

A vereadora da Câmara de Santarém com o pelouro do Ambiente, Inês Barroso, salientou a importância da adesão das escolas a um projecto que visa a mitigação das alterações climáticas, passando a mensagem aos mais jovens e confiando que porão “em prática melhores procedimentos” que as gerações que os antecederam.

Além da Alexandre Herculano, o Agrupamento Afonso Henriques, que abrange freguesias rurais no norte do concelho, vai plantar cerca de 50 azinheiras nas várias escolas, adiantou.

Inês Barroso sublinhou a “enorme adesão por parte das famílias” e o facto de o projecto abranger já nove das 18 freguesias do concelho.

Em Novembro de 2015, a família Veiga Branco foi a primeira a assinar, com a Câmara de Santarém, um compromisso em que assumiu plantar, na quinta onde reside, em Vale de Figueira, os 325 pequenos sobreiros que lhe foram entregues, cuidar deles e assegurar que durante 50 anos não serão cortados.

Dois anos depois, Susana Veiga Branco esteve, com o filho, na cerimónia de entrega das azinheiras às nove famílias que este ano se juntaram ao projecto para dar testemunho do “desafio” que tem sido este “compromisso com o ambiente”, assumido como “um projecto familiar”.

Susana Veiga Branco não escondeu as dificuldades, em particular porque a sua família (o casal e os dois filhos ainda crianças, a que acabou por se juntar o avô) assumiu o compromisso de ser ela própria a cuidar dos mais de 300 sobreiros que recebeu, regando cada um deles e retirando as ervas, já que a opção foi a de não usar qualquer químico.

A parceria com a EMAS, que monitoriza e acompanha o projecto com aconselhamento do Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF), tem sido fundamental, tendo ficado a promessa de que vai ser encontrada uma solução para afastar os coelhos que têm arrancado alguns dos sobreiros.

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