Sociedade | 25-11-2017 09:00

Morreu mais de metade de uma aldeia nas enxurradas de há cinquenta anos

Morreu mais de metade de uma aldeia nas enxurradas de há cinquenta anos
Luísa Fajardo, uma das sobreviventes, com a fotografia do avô

A madrugada de 26 de Novembro de 1967 foi de enxurradas, morte e terror em toda a região de Lisboa e particularmente no local de Quintas, Castanheira do Ribatejo. Ali morreram mais de metade da centena e meia de habitantes.

A casa de Joaquim André Rodrigues, no lugar de Quintas, em Castanheira do Ribatejo, era uma casa pobre e frágil, junto ao rio Grande da Pipa, numa zona onde hoje não é permitida a construção por ser uma zona alagável. Durante a madrugada de 25 para 26 de Novembro de 1967, uma enxurrada de água, lama e lixo, rebentou-lhe a porta de entrada, varreu o interior e matou-lhe a mulher. Ele e o filho menor salvaram-se por uma unha negra.


“Por uma nesga da porta que ainda não estava tapada levei o meu filho Orlando, que tinha 11 anos. Carreguei com ele aos ombros e já na rua ergui-o para cima do galinheiro que tínhamos ao lado da casa. Dali ele subiu para o telhado e eu fiquei com ele. Comecei a gritar pela minha mulher ‘Esmeralda, Esmeralda’. Estava escuro e continuava a chover com força. Quando levantei algumas telhas para a tentar salvar e vi que a água já chegava ao sótão pensei logo que ela estava morta”.


Faz uma pequena pausa e as lágrimas correm-lhe pela face. Tem 89 anos, refez a vida mas a dor não passa. “Tinha chovido o dia todo uma chuva miudinha. Depois começou a chover com mais força mas ninguém contava que fosse dar naquilo. Houve pessoas que chegaram a casa à meia-noite e à uma da manhã estavam mortas”, conta Joaquim André Rodrigues, enquanto caminha lentamente pela aldeia que na altura tinha pouco mais de 150 habitantes e onde hoje vivem cerca de 230.

Reportagem completa na edição semanal de O MIRANTE AQUI

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