Sociedade | 30-11-2017 14:14

“Os bombeiros são o exército mais barato que existe”

“Os bombeiros são o exército mais barato que existe”

David Lobato foi nomeado comandante da corporação em 2013 após a saída de Mário Silvestre para a Autoridade Nacional de Protecção Civil. Diz que o maior problema da corporação é a falta de recursos humanos.

Os bombeiros municipais estão mais bem preparados que os voluntários?

Tanto os bombeiros municipais como os voluntários estão equilibrados ao nível de preparação. No entanto, considero que o modelo dos bombeiros municipais é o modelo do futuro dos bombeiros. O responsável máximo da Protecção Civil do concelho é o presidente da câmara, ou seja, como responsável máximo tem que ter à sua disposição uma força que ele controle. Os presidentes de câmara que tenham corporações voluntárias não conseguem controlar o que lá se passa.

Os bombeiros municipais dão mais despesas aos municípios que os voluntários?

As câmaras que têm bombeiros municipais estão a ser extremamente prejudicadas em relação às câmaras que têm voluntários porque as verbas do Estado que vêm para os voluntários não vêm para os municipais. Por exemplo, a Câmara do Cartaxo gasta cerca de 700 mil euros por ano com a sua corporação, enquanto no concelho de Azambuja, a câmara gasta cerca de 300 mil euros com dois corpos de bombeiros voluntários.

Porquê?

Porque o Estado transfere directamente para os bombeiros voluntários uma verba mas não transfere para os municipais porque já pertencem ao município e as autarquias já recebem verbas próprias do Estado. Seguindo o exemplo que dei, enquanto a Câmara de Azambuja pode investir esses 700 mil euros no concelho, a Câmara do Cartaxo não pode fazer investimento porque tem que investir nos bombeiros, para salvaguardar a população.

Quais as principais dificuldades com que se debate a corporação do Cartaxo?

Temos 36 profissionais, e talvez sejamos das corporações da região que tem mais elementos, mas mesmo assim não são suficientes para conseguir responder a todas as solicitações. Para responder em toda a linha devíamos ter 43 elementos. Todos os dias prestamos auxílio a outros concelhos mas a câmara não recebe dinheiro dos outros concelhos por isso. Nunca vamos deixar de responder e de ajudar os concelhos vizinhos mas não é justo a minha câmara municipal investir este ‘bolo’ enorme do seu orçamento quando outras câmaras que deviam investir nos seus corpos de bombeiros não o fazem. Não queremos mais do que os outros, apenas queremos igualdade.

Entrevista completa para ler na edição semanal de O MIRANTE AQUI

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