Sociedade | 21-12-2017 19:30

Cadeira de rodas para Fernando chega em Fevereiro

Cadeira de rodas para Fernando chega em Fevereiro

Equipamento já foi encomendado e deverá chegar no início de Fevereiro ao engenheiro agrário residente em Almeirim que sofre de esclerose múltipla.

Fernando Ferreira já recebeu o dinheiro da Segurança Social para comprar a cadeira de rodas de que necessita e que lhe foi prescrita pela sua médica. O dinheiro, cerca de 34 mil euros, chegou à sua conta no final da semana passada e o engenheiro agrário já a encomendou. Como é fabricada por medida na Suécia está previsto que só chegue no início de Fevereiro de 2018. “Só acreditei quando vi o dinheiro na conta porque tive conhecimento de muitos casos que tiveram que esperar muitos meses, alguns mais de um ano, até que o caso fosse concluído pela Segurança Social. Estou muito feliz por poder, finalmente, ter a cadeira necessária à minha condição”, disse a O MIRANTE.


Como O MIRANTE noticiou, a Segurança Social vai custear na totalidade a aquisição da cadeira de rodas que Fernando, 37 anos, necessita. O engenheiro agrário, que vive em Almeirim com a mulher e os dois filhos, sofre de esclerose múltipla desde os 19 anos e desloca-se numa cadeira de rodas emprestada que terá que devolver ao Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão. Além disso, a actual cadeira não é a indicada para si porque é baixa demais para o seu tamanho, o que já lhe causou problemas de coluna e pulmonares por não estar sentado correctamente.


Antes de ter a garantia que a Segurança Social lhe custearia a totalidade da cadeira de rodas, iniciou-se uma campanha de solidariedade para angariar tampinhas. Fernando pretende manter a campanha de recolha de tampas até porque precisa de uma cama articulada que custa cerca de seis mil euros. Além disso, quer ajudar outras pessoas que estejam em situação semelhante e que precisem de ajuda.

Exames para a Academia militar detectaram doença
Recorde-se que aos 19 anos foi diagnosticada esclerose múltipla a Fernando, uma doença neurológica que afecta o sistema nervoso central e em que o doente vai perdendo as capacidades físicas e motoras. Os primeiros sintomas a surgir foram o cansaço extremo e perda de visões momentâneas mas os médicos consideraram que se deviam ao facto de estudar muito. Foi durante os exames que teve que fazer para ingressar na Academia Militar – que entretanto optou por não seguir – que os médicos detectaram “qualquer coisa” a nível cerebral e aconselharam-no a procurar um especialista.


Nessa altura, Fernando, natural do Bombarral [distrito de Leiria], ingressou na Escola Superior Agrária de Santarém. “No primeiro ano do curso comecei com sintomas mais graves. Tive o primeiro surto durante o sono, comecei com choques eléctricos pelo corpo todo, como se fosse epilepsia, e caí para o chão. Por sorte, a minha família estava comigo e socorreram-me. Estes surtos repetiram-se algumas vezes. Fiz vários exames, até que me mandaram para o Hospital Egas Moniz e com mais exames disseram-me que provavelmente eu teria esclerose múltipla”, contou em entrevista a O MIRANTE.


Fernando conta que receber aquele diagnóstico foi muito violento. Admite que entrou em fase de negação da doença e confessa que ainda hoje não a aceita. Trabalhou sempre na área da agricultura, chegando a fazer cerca de 500 quilómetros por dia. Os seus dias sempre foram intensos apesar das limitações que a esclerose múltipla lhe foi impondo. A perda de mobilidade aumentou nos últimos dois anos e agora Fernando já só se desloca em cadeira de rodas.

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