Sociedade | 23-12-2017 10:27

Celtejo desafia caluniadores a apresentar provas com "rigor"

Celtejo desafia caluniadores a apresentar provas com "rigor"

Em causa estão "afirmações que têm por objectivo gerar na opinião pública a ideia de que a autora [do processo] é responsável, ou co-responsável, pela alegada poluição do rio Tejo".

A Celtejo desafiou aqueles que têm caluniado a empresa a demonstrarem “com rigor científico” as análises que provam essas mesmas calunias, depois de ter instaurado um processo ao ambientalista Arlindo Marques.

“A Celtejo gostaria de desafiar todos aqueles que têm vindo a caluniar a empresa a demonstrarem com rigor científico as análises nas quais consubstanciam essas mesmas calúnias”, pode ler-se no comunicado da empresa, publicado na sua página oficial do ‘Facebook’.

A Celtejo - Empresa Celulose do Tejo, SA, instalada em Vila Velha de Rodão, Castelo Branco, instaurou a Arlindo Marques, guarda prisional de profissão e conhecido no distrito de Santarém como o "guardião do Tejo", um processo por aquele associar os episódios de poluição no Tejo à empresa, reclamando o pagamento de 250 mil euros por danos atentatórios do seu bom nome.

Em causa estão, segundo o processo, "afirmações que têm por objectivo gerar na opinião pública a ideia de que a autora [do processo] é responsável, ou co-responsável, pela alegada poluição do rio Tejo".

A agência Lusa questionou na quinta-feira a empresa sobre este processo, tendo a Celtejo remetido para o comunicado publicado na página do 'facebook', no qual sublinha ser uma empresa com mais de 50 anos de história que sempre teve no “seu espirito a adoção das mais modernas tecnologias e o respeito pela segurança do ambiente”.

No mesmo documento, a empresa revela que recentemente “tem sido regularmente acusada na praça pública por parte de determinados intervenientes, não obstante cumprir os elevados padrões a que está sujeita, quer pela regulação europeia, quer pela regulação nacional, de ser a principal fonte da poluição no Tejo”.

A Celtejo refere também que, apesar das acusações, sem nunca mencionar nomes, nunca agiu contra quem “sistematicamente produz informações e declarações falsas, sem qualquer rigor científico”.

“A defesa do Tejo não pode ser feita em cima de calúnias e de populismos fáceis, mas com rigor, escrutinando as fontes poluidoras ao longo do curso do rio e actuando sobre as mesmas de modo a lhes por cobro”, segundo o documento.

Desta forma, a empresa avança que “pela sua relevância económica e social, pelas dezenas de milhões de investimentos que está a realizar, não está disposta a ser caluniada impunemente e agirá, pelos meios que um Estado de Direito lhe confere, contra todos aqueles que o façam”.

O processo, entregue no Tribunal Judicial de Santarém, tem a data de 12 de Dezembro de 2017 e reclama do réu 250 mil euros acrescidos de juros de mora até integral pagamento para "compensar a autora pelos danos sofridos por causa da ofensa cometida".

O processo, com 90 páginas, é sustentado com imagens publicadas nas redes sociais e cópias de notícias de vários órgãos de comunicação social com denúncias e entrevistas do ambientalista que a Celtejo considera difamatórias.

"Ao longo dos últimos meses, o réu tem vindo a proferir, de forma reiterada e através de meios e plataformas que facilitam a sua divulgação, afirmações que atentam contra o bom nome, a credibilidade e o prestígio da autora", pode ler-se na acusação.


O ambientalista disse estar "triste e indignado com este processo", tendo afirmado que o mesmo "pretende silenciar vozes incómodas num caso de autêntico terrorismo psicológico".

Os primeiros apoios a Arlindo Marques chegaram através do porta-voz do Movimento pelo Tejo - proTEJO, tendo Paulo Constantino afirmado que o ambientalista "tem sido a voz e os olhos das populações ribeirinhas" e que a acusação "não tem sentido, sendo antes uma oportunidade para saber quem é quem na poluição do Tejo".

Também a Assembleia Municipal de Mação, município do distrito de Santarém, já se pronunciou sobre este processo, tendo aprovado por unanimidade uma moção na quarta-feira, denominada "Arlindo Marques actuou como porta-voz de Mação", e que visa apoiar financeiramente a defesa judicial do ambientalista.

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