Sociedade | 01-01-2018 11:31

De Torres Novas para Luanda onde se movimenta com total à vontade e sem medo

De Torres Novas para Luanda onde se movimenta com total à vontade e sem medo
TÃO LONGE E AQUI TÃO PERTO

Durante anos tentou fazer trabalho como voluntária em África. Quando pensava que a concretização desse sonho não seria possível surgiu-lhe um convite para dar aulas em Luanda.

Carla Teixeira de Sousa, uma designer têxtil de Torres Novas está, desde 2016, a dar aulas numa escola privada portuguesa em Luanda, Angola. Para aceitar o convite que lhe foi feito deixou marido e um filho menor em Portugal. Essa terá sido a parte mais difícil da concretização daquilo que começou por ser um sonho, que era trabalhar em África. “Sem o apoio incondicional da minha família o meu sonho não teria pernas para andar”, declara.


Carla conta a O MIRANTE que África sempre foi um objectivo desde tenra idade. Candidatou-se várias vezes para fazer voluntariado na Guiné mas nunca conseguiu. Quando lhe surgiu a oportunidade de ir dar aulas em Luanda, diz que a agarrou com as duas mãos e viajou sem receio.
Explica que não teve dificuldade nenhuma na adaptação e o que mais a surpreendeu foi o excesso de falta de regras. “Há uma enorme falta de lógica em quase tudo mas a pouco e pouco habituamo-nos”, diz.


Como trabalha numa escola portuguesa em Luanda, a maior parte dos seus colegas no dia-a-dia são portugueses. Mas também já fez amigos angolanos e não afirma que não tem medo de andar pelas ruas e mercados. “Desloco-me tanto em táxis oficiais como carros de “candongueiros” e até em motos que fazem serviço ilegal de transporte”, conta a professora.


Sobre os alertas relativamente a assaltos, desvaloriza-os. “Sinceramente eu não acho perigoso andar pelas ruas apesar de já ter sido assaltada. Mas assaltada também já fui no Porto, em Paris, e em Goiânia, no Brasil, por exemplo. Em qualquer grande cidade existe sempre esse risco. No entanto esta minha postura foge um pouco àquilo que pensa a maioria dos portugueses que aqui trabalha”.


Carla Teixeira de Sousa diz que quem trabalha em Luanda vive bem, frequenta bons restaurantes, bons eventos, mora em boas casas e viaja com facilidade, mas acrescenta que os contrastes sociais são muito grandes.


“Os professores devem ser os que têm menos rendimentos na escola onde trabalho. Chega a ser surreal a ostentação exibida pelos encarregados de educação. É a primeira vez que vivo de perto com uma realidade destas”, confessa.

Reportagem completa na edição semanal de O MIRANTE AQUI

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