Sociedade | 26-01-2018 07:16

Penas de dois anos e meio a seis anos no processo de assaltos a multibanco em Santarém

Penas de dois anos e meio a seis anos no processo de assaltos a multibanco em Santarém
Foto O MIRANTE

Dois dos arguidos, que não têm antecedentes criminais, viram as penas, de três anos e três anos e seis meses, suspensas por iguais períodos.

O Tribunal de Santarém condenou esta quinta-feira, 26 de Janeiro, seis arguidos no processo de assaltos a caixas Multibanco ocorridos em 2015, nos concelhos de Santarém e Torres Novas, a penas entre os dois anos e meio e os seis anos de prisão.

O colectivo de juízes considerou que apenas ficou provado o envolvimento dos arguidos na tentativa de assalto à caixa Multibanco (ATM) do Verdelho (concelho de Santarém), onde foi montada uma operação pela Polícia Judiciária, na madrugada de 11 de Dezembro de 2015, que levou posteriormente à detenção de nove homens com idades entre os 22 e os 37 anos.

Quanto aos assaltos às caixas ATM de Casével (concelho de Santarém), destruída supostamente à marretada, uma vez que não foram encontrados aqui vestígios de explosivos, a 05 de Outubro de 2015, e de Alcorochel (no concelho de Torres Novas), a 19 de Outubro, por injecção de gás e que permitiu o furto de 10.950 euros, o Tribunal entendeu não ter prova suficiente para condenar os arguidos.

A presidente do colectivo, Cristina Almeida e Sousa, afirmou que, apesar de existirem registos de localização dos telemóveis dos arguidos que vinham acusados pelos assaltos em Casével e Alcorochel, que os colocavam “muito perto” dos locais onde estes ocorreram, não foram recolhidos elementos físicos que permitam confirmar a suspeita de que foram os autores destes crimes.

No caso do Verdelho, já com recurso a escutas telefónicas, iniciadas em Novembro de 2015, que não deixaram dúvidas sobre quem eram os interlocutores, a Polícia Judiciária conseguiu identificar, pelas conversas registadas entre 02 e 08 de Dezembro, a caixa ATM que os suspeitos se preparavam para fazer explodir, preparando a operação que permitiu fazer abortar o assalto e que levou à detenção dos arguidos.

Cristina Almeida e Sousa questionou o que levava estes indivíduos, sem qualquer tipo de ligação a Santarém, a circularem por esta zona do país, em datas que coincidiram com os assaltos.

A juíza referiu o “alarme social” que este tipo de crime provoca, sobretudo em meios rurais, como foi o caso, e a organização que os suspeitos demonstraram, frisando que, no caso do Verdelho, se não fosse a intervenção da PJ, a potência da explosão preparada provocaria a derrocada da casa onde se situava a caixa ATM e, muito provavelmente, a morte da sua habitante.

Cristina Sousa comparou a explosão de caixas Multibanco, crime que “começa a vulgarizar-se de forma preocupante”, aos atentados terroristas, afirmando que quem se predispõe a provocar explosões nestas circunstâncias “está disposto a tudo”.

Para a juíza, é “assustadora” a “ligeireza” com que os assaltantes acham que podem praticar este tipo de crime.

“Quem se predispõe a fazer este tipo de explosões está disposto a matar pessoas, tal como os terroristas”, sublinhou.

Todos os arguidos foram condenados por um crime de incêndio e explosão na forma tentada e um crime de furto qualificado na forma tentada, sendo um deles, o que levou pena mais pesada (seis anos de prisão), condenado ainda pelos crimes de furto qualificado de viaturas em residências no Entroncamento, em Ourém, em Pombal e em Abrã (Santarém), que o próprio confessou durante o inquérito, e por condução sem possuir habilitação legal.

Dois dos arguidos, que não têm antecedentes criminais, viram as penas, de três anos e três anos e seis meses, suspensas por iguais períodos, com obrigatoriedade de cumprirem um plano de reinserção.

Estes dois arguidos e um outro que não vinha acusado no crime do Verdelho, e que, com os restantes, se encontravam em prisão preventiva, saíram em liberdade.

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